domingo, 13 de outubro de 2019

Ali bumaye!!!

“Odiei cada minuto de treinamento, mas não parava de repetir a mim mesmo: ‘não desista, sofra agora para viver o resto de sua vida como campeão’”.

Hoje, vou falar de meu ídolo. Apesar de ser brasileiro, não é Ayrton Senna da Silva, embora o respeite bastante, especialmente por sua determinação que é muito necessária na mentalidade de um FIRE.

A questão é que ele notabilizou-se em um esporte a motor e não dá para fecharmos os olhos para a questão de que sem um carro pelo menos razoável, não dá para fazer milagre. Assim sendo, para ter sucesso neste esporte, você precisa estar sentado em uma boa máquina de correr.

Não sou negro, pelo contrário, tenho pele bem clara. Então, o fato de ter Cassis Clay, mais conhecido como Muhammad Ali, como meu herói, não tem nenhum viés racial.

Talvez, muitos não saibam, mas Ali foi eleito o Atleta do Século XX, superando Pelé. Inegavelmente, o Rei do Futebol teve uma carreira incrível, mas minha predileção pelo boxer norte-americano dá-se não apenas pelo aspecto esportivo, mas também, por sua vida privada e, neste aspecto, a meu ver, não dá para comparar as duas figuras.

Cassius Marcellus Clay Junior nasceu em 17 de janeiro de 1942, em Louisville, Kentucky, EUA, em uma família de classe média baixa. Interessou-se pelo boxe, aos 12 anos de idade, após recomendação de um chefe de polícia que o flagrou batendo em uma pessoa que estava tentando furtar sua bicicleta.

Sagrou-se campeão olímpico em 1960, nos meio-pesados, com apenas 18 anos de idade. Somente 4 anos depois, já era campeão do mundo, na categoria pesos pesados, derrotando Sonny Liston.

Aqui, vale destacar duas importantes características da persona de Cassius: um tremendo carisma e uma altíssima carga de confiança em si mesmo. Antes de enfrentar Liston (já era um campeão há bastante tempo), durante a preparação para a luta, em entrevistas, ficou conhecido por fazer brincadeiras, utilizando-se de rimas (veja algumas aqui), além de demonstrar uma auto-confiança que para muitos não passava de uma maneira de esconder o profundo temor que tinha de morrer dentro do ringue. Antes do confronto, afirmou, em alto e bom tom, que não só venceria como seria o maior de todos os tempos ("I am the greatest").

Para um sujeito de apenas 18 anos, muitos o viam como esnobe, arrogante e egocêntrico depois de dizer que não só ganharia o confronto, como tendo previsto em que assalto nocautearia o seu algoz. Era 8 ou 80. Ou você o amava ou o odiava.

Vejo esta arrogância de Clay como uma arma, apesar de reconhecer que não vai funcionar para todos. A me ver, antes dos embates, Clay dizia que iria vencer e até previa quando iria acontecer os nocautes como uma forma de minar a confiança do adversário. Ele tinha um grau de confiança tão elevado que era muito difícil não acreditar em suas palavras. Foi, em certa medida, um grande orador. Se o oponente não tinha uma fortaleza mental sólida, já entraria derrotado no ringue, pois as palavras de Clay já estavam dentro de sua cabeça.

Aqui, o parâmetro que faço com o mundo dos investimentos e com o projeto de liberdade financeira é que você tem que ter um PLANO e uma DISCIPLINA ferrenha para segui-lo à risca. Não estou dizendo que mudanças de rotas não sejam necessárias durante a jornada, mas uma vez determinado o planejamento, o investidor deve segui-lo independentemente do que acontecer ao seu redor, de achismos, ignorância e inveja de outros.

A partir do momento que alcançou o cinturão, derrubou todos seus adversários. Procurem no YouTube por suas lutas. Para um peso-pesado (1,91 m de altura e mais de 90 kg), ele tinha uma desenvoltura nunca antes vista. Um jogo de pernas de um lutador bem mais leve. Com braços longos, podia atingir o adversário sem ser admoestado. 

Em 1967, já convertido ao Islamismo (abandonou o seu nome de escravo, como dizia, e passou a se chamar Muhammad Ali, o que o tornou mais odiado ainda), tomou a atitude que me fez colocá-lo como meu ídolo maior. Foi chamado para servir ao Exército durante a Guerra do Vietnã. Esta foi sua resposta:

“Não vou percorrer 10.000 quilômetros para ajudar a assassinar um país pobre simplesmente para dar continuidade à dominação dos brancos sobre os escravos negros”.

Só nos resta reconhecer uma coisa: ele tinha muita CORAGEM. Você vê, por exemplo, Neymar, ou alguma outra celebridade do mundo esportivo ou não, tomando uma atitude destas, ainda mais na década de 70, nos EUA, quando você está no ápice de seu vigor físico e da carreira? Pelé, também negro, em algum momento, agiu de maneira semelhante?

Ali não era apenas um estupendo pugilista, mas uma pessoa extremamente inteligente e que notou que poderia usar sua figura pública para mostrar os imensos problemas existentes não somente na sociedade estadudinense naquela época como em todo o mundo.

Para alcançar a liberdade financeira, você precisa ter coragem para começar. Coragem para deixar as horas de lazer de lado para estudar. Coragem para manter o foco e a disciplina por anos a fio, desprezando todos os comentários e fatos negativos que surgirão durante a jornada. 

Foi a pá de cal. Sua recusa ao alistamento fez com que perdesse a licença para lutar, tendo, inclusive, sido ameaçado de prisão, o que motivou o ajuizamento de uma ação judicial que chegou até a Suprema Corte. Mesmo tendo um único negro como ministro, a decisão foi unânime: Ali não poderia ser obrigado a lutar no Vietnã por causa de suas convicções religiosas. Se quiser saber como foi este histórico julgamento que abriu um precedente inédito na história dos EUA, veja aqui

Após ter o direito de lutar restituído e de ter vencido algumas lutas, enfrentou o atual campeão, Joe Frazier e perdeu. Pediu a revanche, mas neste ínterim, Frazier foi simplesmente massacrado por um novato (veja aqui). Seu nome: George Foreman (1,92 m de altura e nada mais, nada menos que 118 kg apenas de músculos, aquele "gordinho" careca da propaganda de grill na década passada). Não bastasse o tempo que ficou inativo, agora, enfrentaria um sujeito 7 mais anos mais jovem, mais pesado e mais forte. APENAS UMA PESSOA ACREDITAVA QUE ALI PUDESSE VENCER. 

Quem seria? 

O próprio Ali que, mais uma vez, mostrou como tinha coração de leão ao aceitar o enfrentamento apesar de muitos acreditarem que não teria nenhuma chance e que poderia morrer dentro do ringue.

Inteligente como era, e aos 32 anos, sabia que teria que bolar um plano para derrotar o rival. Chegou à conclusão de que sua única chance seria vencer Foreman pelo cansaço, já que seu rival, mais jovem, e com a típica mentalidade de ser imediatista, iria fazer o possível para obter o nocaute logo nos primeiros assaltos. Daí, durante a preparação, focou em apenas uma coisa, uma vez que técnica já possuía: apanhar. Contratou vários sparrings mais pesados e jovens para aprimorar sua resistência.

30 de outubro de 1974. Como eu gostaria de estar no estádio no Zaire que sediou a "The rumble in the jungle", para muitos, a maior luta de todos os tempos (veja mais aqui). Depois de intermináveis 7 assaltos apanhando, provocando Foreman (à época, os rounds tinham maior duração que hoje) e desprezando os conselhos que seu técnico que pedia para ele não chamar o rival para as cordas para ser golpeado, Ali fiz o inimaginável. Nocauteou Foreman. 

Agora, duas curiosidades. Sylvester Stallone escreveu o roteiro de Rocky em poucas horas depois de assistir, no ginásio, à luta de Ali contra Chuck Wepner (mais detalhes aqui), sendo que Apollo Creed é a personificação de Ali.

Stallone que penava para se sustentar, foi obrigado a vender seu cão, Butkus, por meros 40 dólares. Logo que recebeu o adiantamento de pagamento pela venda do roteiro de Rocky, não pensou duas vezes e recomprou Butkus. Preço? 15.000 dólares. Mais detalhes, você encontra aqui.

Se você quiser conhecer mais sobre a vida de Ali, acesse aquiaqui, assista ao documentário vencedor do Oscar, Quando éramos reis (When we were kings - trailer aqui) ou assista ao filme baseado em sua história, Ali (aqui - em que Will Smith foi indicado ao Oscar e cujas cenas de boxe não contaram com dublês). Os highlights da célebre luta com Foreman estão no link abaixo.




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Até mais!

9 comentários:

  1. Post muito interessante sobre força de vontade e persistência.

    Estou conhecendo seu blog agora, vou passar a seguir.

    Abraço e bons investimentos.

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    1. Olá, Dinheiro Investimento e Lazer. Seu blog está na minha blogroll. Estou acompanhando. Obrigado. Grande abraço!

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  2. Post inspirador!! Muito bom quando nossos ídolos, além de serem vitoriosos nos esportes, tem essa inteligência brilhante...

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    1. Olá, Consciente Escolha. Seu blog está na minha blogroll. Estou acompanhando. Se tiver interesse, cadastre-se para receber avisos de novas postagens. Obrigado. Grande abraço!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Excelente post!!!

    Eu n concordo com MTA coisa do ali mas esse brio dele é admirável.

    Fiz a contabilidade patrimonial do mês... É o último post.. se quiser, da olhada lá... Espero q goste.. a propósito, minha ex voltou a causar problemas... Forte abraço!!!


    IF

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    1. Olá, Intendente Frugal. Estou acompanhando sua jornada. Gosto de seu blog. Com relação a Ali, também não concordo com muitas de suas atitudes e comportamento. Ele foi um ser imperfeito como todos nós. Sua sinceridade machucava as pessoas. Não era um homem leal com suas esposas, o que para mim, é algo que macula bastante a personalidade de uma pessoa. A arrogância dele passava dos limites em muitos momentos. Talvez, o Parkinson veio para mostrar a ele certas verdades. Grande abraço!

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  5. Parabéns pelo post, um dos melhores que li na finansfera ultimamente.

    Vou add seu blog.

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    1. Investidor Concursado, muito obrigado pelo "feedback". Para receber avisos de novas postagens, inscreva-se. Abraço.

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