sábado, 28 de março de 2020

NOTÍCIAS DA MATRIX - 6ª edição - "Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier"

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).

De início, gostaria de deixar alguns importantes avisos. 

Primeiro. Este artigo será longo, pois sinto que há necessidade de se falar sobre muita coisa.

Segundo. Se você tem problemas com depressão, não gosta de ler algo que possa lhe fazer mal, agradeço sua presença, mas não continue a leitura deste artigo, por favor. Te aguardo na próxima semana, quando da publicação do post de fechamento do mês.

Terceiro. Gravei uma entrevista para o SRIF365 falando sobre o momento pelo qual estamos passando. Ficou longa, admito, mas se tiver interesse em ouvir, ela está aqui (começa em 00:49:15). O link da primeira entrevista falando de mim está aqui.

Quarto. O que vou escrever não tem nenhum viés político-ideológico. Não sou de esquerda, direita ou centrão. Não sou nada.

Quinto. Este texto tem carga especulativa. Deixo claro que não tenho o objetivo de criar um secto de seguidores. Não sou guru. Longe disso, até porque sou apenas um pequeno investidor no Brasil, com conhecimento limitado do mercado financeiro, tentando me livrar das amarras da Matrix em que vivemos. Você pode, ao final da leitura, desconsiderar o que escrevi, mas, de qualquer forma, saliento que acho salutar o investidor ter a cabeça aberta para ouvir opiniões dos mais diferentes matizes a fim de tomar as melhores decisões, imaginando os mais diversos cenários, ainda mais levando-se em consideração o momento em que vivemos, em que boa parte dos investidores parecem ter sido seduzida pelos contos pregados pelo bull market infinito.

Sexto. Respeito se você tem opinião diversa, mas acredito em aquecimento global.

CONJUNTURA

O título deste post dá a ideia precisa do que tenho para escrever. "Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier". Provérbio chinês.

Enfim, o COVID-19 não era apenas uma marolinha ou fantasia como alguns pregavam. É um verdadeiro cisne negro, segundo Nassim Taleb, que acabou mostrando ao mundo como o mercado financeiro é um ente extremamente frágil.

Vou além. Esta crise, a meu ver, está escancarando como a civilização, apesar de todos os avanços ao longo da história, nas mais diversas áreas do conhecimento, científico ou não, é extremamente vulnerável a eventos como uma pandemia.

Como Bill Gates profetizou em sua palestra no Ted Talks (link aqui), perdemos tempo e dinheiro em criar armas de destruição em massa, como ogivas nucleares, mísseis intercontinentais, guerra cibernética, mas não nos preocupamos com algo microscópico que pode se tornar uma arma de destruição em massa.

Se o vírus causou este colapso na economia mundial, com índice de letalidade tão baixo, o que seria então do mundo, se o nível de mortandade fosse maior? O que impede que no próximo ano, tenhamos uma nova cepa do COVID? Se isto acontecer, o que será da economia mundial, com o advento de dois cisnes negros num intervalo de tempo tão curto?

E nem cheguei a falar dos problemas advindos do aquecimento global que irão afetar, ainda mais, a economia mundial. Por exemplo. Todos falando do COVID, mas, neste exato momento, está em curso um processo de alastramento da dengue, especialmente na América Latina (notícia).

Não sou especialista, mas não duvido que este fenômeno esteja relacionado ao aquecimento global. Da mesma forma com relação à nuvem de gafanhotos que destruiu muitas plantações no continente africano (notícia) e que está rumando para a Ásia. Imaginem estes insetos chegando em um país exportador de commodities agrícolas como o Brasil...

A injeção de dinheiro pelos governos nas economias mundiais não irá resolver o problema. Só está inflando a bolha ainda mais. Lembremos que a herança maldita advinda da crise do subprime em 2008 foi varrida para debaixo do tapete. E, agora, por causa desta crise de saúde, a fim de impedir ou minorar o problema de fechamento de empresas e consequente aumento do nível de desemprego no mundo, os governos se endividam mais ainda, concedendo linhas de empréstimo sem critério, helicopter money, estatização de empresas que já não vinham bem, etc.

Falando nisso, veja esta notícia, parte final. Início de discussões sobre apresentação de projeto de Proposta  de Emenda à Constituição (PEC) para que o Banco Central do Brasil possa "comprar créditos diretamente" das empresas, sem passar pelo sistema bancário.

O que é isso? Intervenção direta do Estado na economia? Onde está o livre mercado? Imaginava que este governo tivesse ideiais liberais. Por mais que reconheçamos que o momento atual é ímpar, este tipo de atitude realmente irá trazer benefícios? O Estado assumindo participações relevantes em empresas é algo bom? Como os agentes do mercado financeiro irão reagir a isso? Para onde irão as contas públicas? Em cinco anos, por exemplo, será necessária outra Reforma da Previdência?

Continuando com mais algumas indagações. Será que o dinheiro é infinito? Basta imprimir papel moeda para resolver o imbróglio criado? Será que esta injeção de recursos irá realmente beneficiar a classe trabalhadora ou só vai aumentar o fosso entre os muito ricos e os muito pobres no mundo, achatando a classe média? Será que estes empréstimos estatais, financiados pelos contribuintes, não serão utilizados na recompra de ações a preços mais baixos pelas próprias empresas a fim de engordarem seus salários, por exemplo?

O que houve com a economia japonesa depois de 2008? Estagnação absoluta e aparentemente irremediável, depois de 12 anos. Não poderia ser o futuro da economia global, já que as pessoas poderiam começar a ver que muitas empresas só geram números no papel mas não lucro propriamente dito?

Não quero assustar as pessoas, mas acho que todo investidor deve ter uma visão global do mundo, não se atendo apenas a sinais de ordem econômica. Prova maior disso é o que estamos vendo agora. Um vírus causando uma hecatombe nas economias mundiais. A crise de 1929 pode, daqui há alguns anos, ser vista como evento de pequeno escala perto desta de agora. Naquela época, o mercado financeiro, especialmente de renda variável, era infinitamente menor que o de hoje. A população mundial era bem menor. O número de pessoas abaixo da linha de pobreza, o mesmo. A escassez de comida, idem. Ninguém falava dos efeitos nefastos do aquecimento global.

Não acho que a descoberta de tratamento ou vacina para o COVID irá resolver o problema econômico instalado, pois a bolha já existia e só foi ainda mais inflada. Este momento poderia ser utilizado para "limpar" o sistema, mas não parecer ser o desejo dos governos ao que parece. Querem, de certa forma, que voltemos ao bull market o mais rápido possível. E aí, fica a indagação: é um bull market real ou fake como muita coisa hoje em dia? Parece que boa parte das pessoas está, paulatinamente, priorizando ver o mundo com lentes de Pangloss, especialmente com o advento das mídias sociais, dando maior foco ao "parecer ser" do que "efetivamente ser".

COMO A CRISE ME AFETOU NO ASPECTO FINANCEIRO?

Depois de toda explanação, quero deixar minha opinião sobre a questão da economia em si, especialmente com relação à questão de formação de carteira previdenciária. Tenho 43 anos. Só no ano passado, me livrei das dívidas e pude começar a poupar. Acho que não há como negar que o mundo passará por um processo de recessão de mundial que poderá perdurar por anos, a depender do país (o que acredito para o Brasil).

Imaginemos que tenhamos outro cisne negro dentro de 10 anos. Para aquele investidor que tem uma parcela considerável de seu patrimônio exposta à renda variável, ele já estará com 53 anos de idade, e talvez, não tenha tido tempo para recuperar o prejuízo verificado em 2020. Será que vale a pena o risco?

Pelo menos no Tesouro Direto, especialmente IPCA+, se tudo der errado, em tese, basta o governo imprimir mais dinheiro para pagar os investidores. Você pode ganhar pouco, mas está vencendo a inflação, apesar de entender que cada um tem o seu índice de inflação, sendo o IPCA apenas uma média.

Particularmente, acho improvável que o governo, mesmo falando de Brasil, resolva postergar ou não pagar os títulos quando de seu vencimento. Por dois motivos, em especial: os investidores, tanto CPF, quanto CNPJ, perderiam a confiança e nunca mais iriam investir no Tesouro Direto; como o governo impõe as taxas no Tesouro Direto, ele pode conseguir dinheiro emprestado a custo baixo, sendo uma ótima fonte de renda para pagar as suas despesas e fazer investimentos. Valeria a pena para o governo perder esta galinha com ovos de ouro?

Daí, seja para aquele investidor que está começando ou para aquele que já tem patrimônio formado, vejo o Tesouro Direto como uma boa alternativa em uma panorama tão incerto para não falar sinistro. Fazendo um mix com títulos com várias datas de vencimento, com e sem juros semestrais, dá para uma ter uma segurança maior e o mais importante de tudo: não perdendo dinheiro.

Com os agentes do mercado financeiro se utilizando de ideias tão deturpadas (será que reduzir taxa de juros é o melhor caminho para aquecer a economia se as pessoas estão com medo do futuro e perdendo o emprego?), ganância é uma palavra que não pode fazer parte do vocabulário do investidor de longo prazo.

No final das contas, em um período de 15/20 anos, com este cenário tão incerto, aquele que alocou a maior parte de seu patrimônio, se não todo, no Tesouro Direto, poderá se sair melhor do que o investidor que assumiu risco na renda variável.

Antes de ganhar, não perca. Warren Buffett.

Mas não defendo migrar tudo para os títulos do governo nacional. Sou adepto do brocardo "só a diversificação salva". Tive uma diminuição aparente de meu patrimônio com esta crise. Aparente, pois enquanto eu não der a ordem de venda do ativo no home broker, nada mudou. Nunca venda na baixa.

Todavia, para ter esta tranquilidade de não querer saindo vendendo tudo no momento do pânico, é porque eu fiz o básico: avaliei, previamente, o nível de exposição à renda varíavel que minha carteira previdenciária deveria ter. Hoje, por volta de 30%/40%. Ademais, criei em pouco mais de um ano de carteira previdenciária, um acervo de mais de 30 FIIs, mais de 20 empresas brasileiras e 68 ativos nos EUA (no fracionário). Sei que alguns negócios podem quebrar, mas, no final, o risco já está tão diluído que não me traz tanta preocupação.

Já havia decidido que todo montante de dinheiro que viesse da venda de imóveis físicos iria para renda fixa, pois não poderia arriscar perdê-lo. Assim, em meados de fevereiro, apesar de ter me arrependido de não ter enviado para minha conta no exterior R$ 120.000,00 com o dólar a R$ 4,20, resultantes da venda de uma parte de um imóvel de família, acertei ao comprar títulos do Tesouro Direto IPCA+ com várias datas de vencimento, um pouco antes da crise estourar. Reconheço que não consegui pegar as melhores taxas e que, momentaneamente, em virtude dos efeitos da marcação a mercado, houve diminuição do valor investido, mas, em contrapartida, sei que que vencerei a inflação com um plus, quando a data de vencimento chegar.

Particularmente, vislumbro duas coisas para o futuro mais próximo: valorização contínua do Dólar perante o Real; persistência de juros baixos no Brasil por mais tempo, com inflação controlada, já que a demanda será muito afetada pelo aumento da taxa de desemprego, endividamento das famílias e redução de salários.

Por conseguinte, vislumbrando que o ambiente da renda variável continuará extremamente volátil (novas quedas podem ocorrer à medida que os balanços das empresas com números ruins forem divulgados e empresas quebrando), prefiro não perder no Tesouro Direto do que me arriscar na bolsa de valores, seja em ações, FIIs, stocks e REITs.

SOBREVIVENCIALISMO

Não sabemos como será o dia de amanhã. À bem da verdade, nem sabemos se estaremos vivos. O vírus mostrou que a diferença entre viver e morrer é uma linha tênue por mais que você seja um ser precavido.

O que me fez refletir. Do que adianta planejar tanto minha vida financeira para quando me aposentar do serviço público daqui a 25 anos aproximadamente, se não tenho um plano para minha sobrevivência e finanças para o dia de amanhã?

Daí, passei a ler sobre sobrevivencialismo. Pode parecer a você que é coisa de gente com muito tempo sobrando na vida ou que é doente mental por ficar prevendo o pior, se preparando para algo que talvez nunca aconteça ou que só venha a acontecer daqui a centenas de anos.

Respeito, mas acredito que é exatamente esta preparação que pode significar você viver ou perecer em um ambiente de desordem pública. Faço, aqui, uma comparação. Estudos comprovam que maior é a probabilidade de alguém sobreviver a um desastre aéreo se ela conhece os procedimentos de emergência (prestando atenção no manual e às intruções dadas pelos comissários de voo) e fez um estudo de como irá agir em caso de emergência (sabendo, por exemplo, qual será a rota de fuga a ser adotada, onde está a porta mais próxima, etc).

À medida que as notícias sobre a pandemia chegavam, mostrando que o problema era maior do que anteriormente imaginado, passei a me preocupar com o meu futuro, de minha esposa, meus animais de estimação e familiares. Ainda mais porque começou-se a aventar a possibilidade de redução de vencimento para o funcionalismo público. Pode não acontecer, mas vou optar por ser precavido.

Estou hoje trabalhando via home office. A experiência tem sido boa. Se superarmos tudo isso, gostaria muito de continuar trabalhando em casa, pois acho mais saudável a nível psicológico (você fica livre de embates com colegas no local de trabalho), mais barato (apesar de aumentar o custo com energia elétrica, economizo com combustível e estacionamento, lembrando que tenho sistema de produção de energia fotovotaica em casa) e mais seguro (com o aumento da taxa de desemprego, vislumbro um incremento na criminalidade).

Com o recebimento do salário, entrei em modo de emergência. Não comprei absolutamente nada com ele, tendo feito apenas pequenos aportes no Tesouro Direto com dinheiro do pet shop. Preciso ter liquidez agora, haja vista que não sei por quanto tempo irá demorar a crise. Se ela perdurar, farei o mesmo com os próximos salários. De igual maneira, imaginando a possibilidade de inflação de preços e escassez de produtos, fiz estoque de mantimentos e outros itens para aproximadamente três meses. Não esqueci dos bichanos. Tenho ração para muitos meses.

Se a situação piorar e o governo perder o controle sobre a população, tenho, pelo menos, uma arma em casa. Lamento não ter criado esta cultura de preparação antes, pois para usar armamento, você tem que estar sempre treinando. De igual maneira, deveria ter pensado em expandir minha horta e aumentado o número de frutíferas no quintal de casa, o que pode fazer enorme diferença em sua vida, caso você esteja impedido de sair de casa por um período mais longo de tempo. Já criamos codornas e galinhas, mas hoje não mais temos, o que poderia nos ajudar.

O surgimento deste episódio de proporções globais me serviu de lição. Se conseguirmos superar este evento, pretendemos: praticar tiro a fim de sentirmos preparados em caso de necessidade; comprar outra arma, de forma que minha esposa também possa utilizar, incrementando nossa capacidade de reação; criar uma mentalidade e aplicar um plano de contigência de forma que possamos estar prontos para sobreviver por período indefinido de tempo em caso de agravamento da crise e criação de ambiente de caos social.

Você pode achar que surtamos. Ok. Mas reconheça que como não sabemos o futuro, você não pode me garantir, com 100% de convicção, que este cenário seja irreal para um futuro mais próximo. Eventos do passado, como Revolução Francesa e Revolução Russa, por exemplo, mostram como a insatisfação da população com suas condições de vida podem derrubar governos, criando um ambiente totalmente anárquico, em que leis não tem mais poder de coerção.

E aí, é cada um por si. O homem, por natureza, é um ser egoísta. Quando entra no modo de sobrevivência, é capaz de fazer coisas que não faria em um estado de normalidade. Sede e fome são sensações únicas. Basta você ler depoimentos de indivíduos que já passaram por situações de privação absoluta para entender como sua mente é afetada. Antes de tudo, somos um animal repleto de instintos, instintos estes que não respeitam etiquetas e comportamentos que eram comuns em uma vida em sociedade.

Na dúvida, opto pela preparação, até porque em situações limite como as aventadas aqui, não acho plausível que você irá conseguir sobreviver por mais tempo, tendo reserva de ouro ou papel moeda em casa (não estou falando em criptomoedas, pois não haverá energia elétrica e muito menos acesso à Internet). Em pouco tempo, terá gastado tudo (a escassez de produtos terá provocado uma inflação estratosférica). Você terá que se virar com aquilo que possui. E de nada adianta a ficha cair quando você já estiver inserido em um ambiente de caos. 

Para finalizar, faço algumas observações:

1 - Se tem interesse em aprender mais sobre Tesouro Direto, recomendo o canal do YouTube Finanças para Ti;

2 - Se quer aprender mais sobre sobrevivencialismo, recomendo  os canais SobrevivencialismoGuia do Sobrevivente;

3 - Alguns podem dizer que é mais um mensageiro do apocalipse, mas gosto das análises de Fernando Ulrich no YouTube, seguidor da Escola Austríaca de economia.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.


Até mais!

domingo, 8 de março de 2020

NOTÍCIAS DA MATRIX - 5ª edição - Dolarização da carteira

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.





Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).

Escrevi aqui (dezembro passado) que tinha como objetivo para 2020 dolarizar parcela da carteira a fim de alcançar, pelo menos, a proporção 30%/70% para diminuir o risco global da mesma. Seria tanto uma proteção para o fator Brasil (não sabemos o que será da nação daqui há 20 anos, quando estarei me aposentando do serviço público) como a criação de um caminho para majorar os ganhos, comprando bons ativos no exterior. Já comentei que acho muito mais fácil encontrar empresas sólidas e com bom histórico de lucratividade no exterior do que no Brasil (tenho 68 empresas/REITS/ETFs na DriveWealth, compradas no fracionário enquanto, no Brasil, pouco mais de 20). 

Ademais, penso que, no longo prazo, a tendência é a gradual e inexorável valorização do Dólar perante o Real, pois por mais que a economia dos EUA não seja 100% sólida, é inegável que é bem mais forte do que a brasileira, sem contar que o índice de produtividade do trabalhador estadunidense é quatro vezes maior do que o do brasileiro (confira aqui). Em minha modesta opinião, a única forma do Real se valorizar perante o Dólar é se a economia nacional der um salto de qualidade formidável, nunca antes visto na história, o que, sinceramente, acho muito improvável que aconteça um dia.

Como já tenho uma pequena parcela do patrimônio em ouro e não pretendo me expor a criptomoedas (acredito que em algum momento, os governos, a fim de preservar sua soberania, irão criar enormes barreiras para iniciativas privadas de criação de moedas alternativas às oficiais), apesar de reconhecer que não dá para confiar cegamente no poder de papel moeda, ainda assim, é o que me resta. Mesmo que a China continue a crescer nos próximos anos, acho improvável que, em algum dia, sua moeda tome o lugar do Dólar a nível mundial.

Não descartei, por completo, a possibilidade de comprar Dólar e Euro, na versão papel moeda, mas, se acontecer, é para ser usado nas viagens que pretendo fazer ao exterior quando não tiver mais os bichanos até porque é uma alternativa que não gera qualquer tipo de dividendos. Entretanto, creio que, em tese, quando for o momento de viajar, as cotações estarão mais altas do que as de hoje. Assim sendo, já sairia no lucro por comprar algo mais barato vários anos antes.

Entretanto, com a rápida escalada do preço do Dólar a partir de janeiro, acabei postergando a decisão de enviar dinheiro ao exterior. Em 2020, ainda não fiz nenhuma remessa. Inclusive, o dinheiro que recebi da venda de minha parte em um imóvel de família seria destinado aos EUA, mas o psicológico não deixou, pois minha mente era refém da cotação do Dólar. Tive a oportunidade de fazer o envio com o Dólar a menos de R$ 4,50 e não fiz. E agora, o preço está bem além deste marco. Errei. Perdi uma oportunidade. Mas ficou como lição.

Mas, nesta última semana, depois de ler muita coisa, especialmente na Blogsfera, mudei, finalmente, meu pensamento. Cheguei à conclusão que não adianta ficar esperando a cotação do Dólar baixar. Como tenho mais de vinte anos para aposentar, o foco tem que ser no preço médio. Acompanho a trajetória do SRIF365 há algum tempo e agora estou presenciando sua aflição com o avanço do preço do Euro perante o Real. Como ele está de mudança para Portugal para viver de dividendos e boa parte de seu patrimônio está vinculada à moeda nacional, existe, a princípio, um risco para sua sobrevivência naquele país nos próximos anos. Só acho que ele não terá problemas pois tem uma vida regrada e sem devaneios consumistas.

Mesmo que ainda não tenho decidido emigrar do país após a aposentadoria (tenho bastante tempo para chegar à uma definição), acho salutar ter esta proteção de parte da carteira com ativos vinculados à outra moeda.

Outro fator importante a ser salientado é que defini que o montante de dinheiro que chegará até mim, em algum momento, com a venda de um lote (está à venda há alguns meses) e de um apartamento (herança) será destinado à renda fixa, mais especificamente, Tesouro Direto IPCA +. Não tenho coragem de transformar um imóvel físico em ativos de renda variável (mesmo FIIs) por causa do risco inerente ao mercado. Será uma âncora de minha carteira previdenciária.

A entrada deste valor irá provocar um tremendo desbalanceamento entre as proporções de Real e Dólar no meu patrimônio. Assim sendo, devo focar no aumento de ativos em Dólar o mais rápido possível a fim de formar o contrapeso.

Por conseguinte, decidi que a partir deste mês, não farei mais aportes em minha conta na DriveWealth. Tenho lá aproximadamente US$ 10.000,00, sendo que 8.000,00 estão na conta prontos para serem utilizados na compra de ativos quando achar o momento certo de entrada. De agora em diante, as remessas irão para a conta que acabei de criar na TD Ameritrade. Deu trabalho, mas o primeiro contato com a plataforma mostrou que valeu a pena. Apesar de não ter versão em português, é bastante intuitiva e tem muito mais recursos que aquela da DW. Olhei outras corretoras, mas o fato de ser a segunda maior dos EUA e ter zerado os custos, me fez optar por ela (para mim, preços de corretagem e de custódia importam, ainda mais em Dólar, mesmo no longo prazo).

Continuarei a usar a Remessa On Line para fazer os envios. Ainda não encontrei outra opção mais barata.  

Não pretendo comprar, de imediato, os ativos, mas quando achar que é o momento, irei fazê-lo. A fim de aumentar a possibilidade de conseguir melhores taxas de câmbio, irei fazer uma remessa por semana. O limite mínimo exigido para a Remessa On Line para não ter que pagar a taxa bancária de R$ 5,90 é de R$ 2.500,00. Ademais, irei usar o cupom de desconto.

Escrevi este post para mostrar que todos nós somos passíveis de erro e que o importante é ter a cabeça aberta para enxergar outras possibilidades à sua volta. O fato de acessar conteúdo produzido por outras mentes, com outras visões não só a respeito de dinheiro, mas de mundo, nos enriquece e nos faz evoluir, não só como investidor, mas também como pessoa.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.


Até mais!

sábado, 29 de fevereiro de 2020

DICA DE MÚSICA: Como ela consegue?

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.





Mais uma postagem na seção Dica de Música.

Lisa Gerrard, uma voz alienígena. Como ela consegue? Alcance vocal surreal. A música é Sacrifice. Meu primeiro contato com a canção foi atráves do filme O informante com Al Pacino e Russel Crowe e direção de Michael Mann, o cineasta responsável por colocar Pacino e De Niro em Fogo contra fogo. Se não viu O informante, não perderia um minuto sequer. Tenho convicção que não recebeu os prêmios e reconhecimento merecidos por lobby da indústria do tabaco. Pacino tem uma cena imperdível, das melhores de sua carreira já tão laureada.

Se você não conhece Lisa, ela é a voz da música tema da película Gladiador, de Ridley Scott, Now We Are Free.







Bom fim de semana a todos!

Até mais!

FIRE IN THE HOLE - Fechamento Fevereiro/2020

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).



Para você entender minha evolução na jornada em busca de independência financeira e o racional utilizado, o fechamento dos meses antecedentes encontram-se na coluna FIRE IN THE HOLE deste blog. Se você é iniciante, sugiro nunca ver o fechamento de um único mês, mas a sequência deles para compreender qual é a estratégia adotada a fim de você não correr o risco de chegar a falsas conclusões.

Neste post, farei a exposição do fechamento de maneira diferente com texto ao invés de gráficos. Talvez, os caros leitores apreciem mais dessa nova maneira.

PATRIMÔNIO INVESTIDO:
JAN/2020: R$ 351.650,00
FEV/2020: R$ 487.488,50

PATRIMÔNIO (VALOR DE MERCADO):
JAN/2020: R$ 378.965,10
FEV/2020: R$ 528.391,40

DIVISÃO DO PATRIMÔNIO:
RENDA FIXA: 60,1%
RENDA VARIÁVEL: 39,9%, sendo 26,4% em FIIs e o restante em ações no Brasil e nos EUA

TESOURO DIRETO:
Préfixado 2022: 1,9% (taxa média de rentabilidade: 6,46%)
Préfixado 2023: 0,4% (taxa média de rentabilidade: 5,329%)
IPCA + 2024: 19,3% (taxa média de rentabilidade: 3,249%)
IPCA + 2026: 19,9% (taxa média de rentabilidade: 2,622%)
IPCA + 2035: 20,2% (taxa média de rentabilidade: 3,641%)
IPCA + 2040 com juros semestrais: 5,9% (taxa média de rentabilidade: 3,36%)
IPCA + 2045: 32,4% (taxa média de rentabilidade: 3,396%)
IPCA + 2050 com juros semestrais: irrisório (taxa média de rentabilidade: 3,51%)

DIVIDENDOS RECEBIDOS NO MÊS:
JAN/2020: R$ 674,30
FEV/2020: R$ 777,00

RENTABILIDADE MENSAL DA CARTEIRA:
JAN/2020: -1,81%
FEV/2020: 2,79%

PATRIMÔNIO x IPCA:
Desde 04/2019 (início dos aportes), o patrimônio valorizou-se 14,78%, ao passo que o IPCA acumulado no período é de 5,40% de acordo com ANBIMA (aqui).

Primeira observação. Se você ainda não leu, dê uma olhada neste post em que explico como e porquê mudei as alocações de renda fixa e variável em minha carteira no último mês com a entrada de uma verba relativa à venda de parcela de imóvel. Por não me sentir mais confortável com tanta exposição em renda variável, especialmente em FIIs, o salário do mês de fevereiro, além do montante da venda do imóvel foram destinados, integralmente, ao Tesouro Direto, o que fez minha posição aumentar consideravelmente neste ativo. Como já expliquei neste espaço, por ser funcionário público e por poder aposentar apenas entre 2042 e 2045 (a depender de uma nova reforma da previdência), procurei fazer um mix de títulos do Tesouro Nacional com maior foco nos IPCA +, a fim de proteger o patrimônio da inflação, já que a margem dos préfixados para a SELIC reduziu nos últimos tempos. Notem que fiz uma "escadinha". Tenho exposição em todos os IPCA +, com exceção do 2035 com juros semestrais e o 2055 com juros semestrais. Priorizei o IPCA 2040 + com juros semestrais ao invés dos dois títulos anteriormente citados, pois já estarei aposentado em 2055 e pelo fato de em 2035 ter ainda, aproximadamente, 10 anos para me aposentar. Quero receber a grande parcela do valor investido exatamente quando estiver indo para a inatividade. O fato de ter posição no IPCA + 2035 é para formação de um fundo para viagens, já que eu e minha esposa imaginamos que nesta época, a grande parte de nossos  animais resgatados das ruas não estará mais viva, o que nos permitirá, finalmente, viajar anualmente, especialmente para o exterior.

Segunda observaçãoAlguns poderão dizer que estou deixando de ganhar sendo tão conservador. Se o coronavírus fez a B3 despencar, seria hora de comprar ações e cotas de FIIs. Entretanto, acho que até o final do ano, virá nova correção mais forte por causa da eleição presidencial nos EUA, o que repercutirá no mundo todo. Não bastasse isso, não sou nenhum pouco otimista para a situação da economia brasileira com o panorama mostrado hoje. Há de se reconhecer que em ano eleitoral (escolha de prefeitos e vereadores), se não houver diálogo com o Congresso Nacional, o Poder Executivo não conseguirá aprovar nenhuma reforma já programada. De igual maneira, com base em notícias veiculadas na mídia, a classe empresarial já está fazendo muitas críticas a respeito do projeto de reforma tributária. Daí, não sei se será aprovada com tanta rapidez como alguns pensam. E se Guedes pedir para sair?


Terceira observação. Com relação ao meu patrimônio nos EUA, não comprei, mas também não vendi. Grande parte de minhas reservas estão paradas na conta esperando o momento ideal para serem utilizadas. Já falei em post pretérito que iria dolarizar a carteira. Por conseguinte, parece algo contraditório eu fazer um movimento agora em direção ao Tesouro Direto. Concordo, mas o câmbio não está ajudando. Por mais que saibamos que o Brasil tem um histórico muito complicado, emprestar para o governo tem baixo risco, pois, em última instância, basta o mesmo imprimir mais moeda para pagar os credores. Já emprestar dinheiro para empresa envolve muito mais risco, ainda mais nestes tempos em que vejo exarcebação de ganância por parte alguns agentes do meio (como exemplo, gestores de FIIs lançando subscrições de maneira desenfreada em busca de dinheiro barato dos investidores). É preferível ganhar pouco, mas de maneira constante na renda fixa, com baixo risco, do que ter o infortúnio de perder boa parte do patrimônio em apenas alguns dias. Talvez, se fosse mais novo não adotaria tal mentalidade mas com a idade que possuo, prefiro assumir postura mais conservadora.

Quarta observação. Apesar de ter dito que iria fazer reserva de oportunidade no Brasil, com perspectiva de possível perda para a inflação de aplicação no Tesouro Direto SELIC ou CDB 100% do CDI, não deixei nenhuma quantia parada na conta (posso conseguir CDB pagando mais de 100% de CDI, mas em bancos menores, o que me expõe a um risco que não quero correr, lembrando que o FGC - Fundo Garantidor de Crédito não é um poço sem fundo de reservas monetárias). Tenho mudado o meu mindset neste sentido. Se houver uma pesada correção em ações, FIIs, levarão meses ou, mais provavelmente, anos para a recuperação das cotações. Assim, comprando todos os meses, farei preço médio. Não faz sentido manter uma grande quantia de dinheiro parada na conta com possibilidade de perda para a inflação para aplicar especificamente no dia do crash. Não é assim que funcionou nas crises passadas. Até a volta ao bull market, serão várias altas e baixas. E nada impede que cotações caiam ainda mais depois do dia do circuit break. Tal pensamento não será aplicado para a quantia parada nos EUA, pois entra a questão do câmbio, hoje extremamente desfavorável. É possível que o dólar não volte mais a R$ 4,20, mas, ainda assim, prefiro focar agora no Tesouro Direto.

Quinta observação. Esta mudança de rota tão radical na alocação dos aportes deu-se especialmente em virtude da máxima: antes de querer ganhar, não perca. Frase de Buffett. No meu sentir, não vejo porque tomar tanto risco neste momento. O fato de ser servidor público com estabilidade, ter poucas despesas, nenhuma dívida e um padrão salarial que é muito bom perante a maioria dos nacionais me fez mudar de ideia. O mais importante para mim, com 43 anos de idade, é vencer a inflação e não ficar rico. Manter o meu padrão de vida quando estiver na terceira idade. Poder fazer e comprar coisas sem muito sacrifício financeiro. Para isso, com o nível de aporte que possuo, basta eu deixar o tempo e a força dos juros compostos agirem. Como já perdi muito dinheiro no passado, não posso errar novamente. E quando sentir que o momento é adequado de novo, volto a comprar ativos da renda variável até porque gosto muito dos FIIs (notem que caíram pouco em uma semana tão ruim).

Sexta observação. O que me ajudou a acordar para a realidade acima descrita foi o canal Finanças para Ti no Youtube (link aqui). Trata apenas do Tesouro Direto. Darlan é médico, mas possui um bom conhecimento sobre o referido instrumento financeiro. Imagino que tenha mais de 50 anos e, por conseguinte, possui uma visão mais conservadora, o que se coadonua com o atual momento de minha vida. Você não irá ficar rico com o Tesouro Direto, mas poderá fazer com que consiga proteger o seu patrimônio em caso de um período de bear market prolongado na bolsa. E aí, pode acontecer de, no final das contas, você acabar com mais patrimônio do que aquele que estava muito exposto à renda variável e que poderá levar anos, se não décadas, para voltar ao ponto onde estava antes da crise.

Sétima observação. Se a taxa de retorno dos Tesouro Direto IPCA + mais longos não voltarem para pelo menos 3,50%, vou focar os aportes no IPCA + 2026 até porque, proporcionalmente, hoje, tem melhor custo benefício que os IPCA + mais longos. Como já tenho alguma quantia no IPCA + 2024, botando dinheiro no IPCA + 2026, pretendo formar uma "escadinha" de forma que a cada dois anos, caia um valor considerável na minha conta para: adquir ativos da renda variável se for o momento ou comprar mais Tesouro Direto com taxas melhores, já que há expectativa de aumento da SELIC nos próximos exercícios. Se o Tesouro Nacional adotar o comportamento de criar um IPCA + a cada 2 anos, devo adotar esta estratégia da "escadinha" até a aposentadoria, pois, assim, na maior parte do tempo, terei um bom numerário a título de reserva de oportunidade.

Oitava observação. Me inscrevi no ranking da Blogsfera (link aqui), a fim de manter minha disciplina e foco para alcançar o objetivo traçado. No último mês de janeiro, o meu perfil foi lá inserido, já que este espaço ainda não possuía três meses de existência. Alguns podem achar que a classificação pode ser uma maneira dos blogueiros ficarem se mostrando. Pode até ser, mas para mim, servirá como um combustível para perservar, tendo em vista que tenho 22 anos de caminhada, se não houver outra reforma da Previdência, o que não é pouco.

Quaisquer dúvidas e comentários, sempre bem-vindos, escreva na área de comentários.

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.



Até mais!

sábado, 22 de fevereiro de 2020

NOTÍCIAS DA MATRIX - 4ª edição - Os motivos de meu sumiço

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.





Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).

Ainda não morri!

Usarei este post para elencar alguns motivos que me fizeram ausentar deste espaço. Espero que me entendam. Não achem que é por desídia de minha parte com relação à audiência. De forma alguma. Como já expliquei, comecei minha jornada há pouco mais de um ano. Não tenho formação em Economia e não sou um estudioso autoditada de finanças. Uso este blog apenas para registro pessoal e para inspirar as pessoas a começarem ou a perseverarem na busca pela liberdade financeira. Não me julgo professor de ninguém. Sou apenas um sujeito com algum conhecimento de vida e que já tomou péssimas decisões no passado com relação a dinheiro.

1 - Como já falei aqui, não pretendo ser escravo do dinheiro ou do sonho da independência financeira. Estudo para executar as melhores decisões, mas tomo cuidado para preservar as poucas horas de lazer que possuo. Comecei a notar que estava negligenciando a relação com a minha esposa. Daí, como ela e meus cães e gatos são mais importantes para mim do que numerário, resolvi mudar. Agora, não estou perdendo tanto tempo na frente do computador lendo relatórios e assistindo a vídeos do YouTube sobre o mercado financeiro. Tenho 43 anos de idade. Como não possuo filhos e sou "mão de vaca", consigo economizar bastante de meu salário. Daí, cheguei à conclusão que por causa dos erros de meu passado e da idade que já possuo, não posso tomar tantos riscos. É melhor ganhar pouco e sempre do que perder. Quero tranquilidade. Não tenho sonho de ser rico. Uma aposentadoria em que haja sobra de algum dinheiro para o lazer, com todas as despesas pagas, já me é suficiente.

2 - Aproximadamente 60% de minha carteira previdenciária estava na renda variável, especialmente em FIIs. Com a minha mudança de paradigma, aproveitei a entrada de uma verba referente à venda de parcela que tinha em imóvel da família para inverter a proporção. Agora, aproximadamente 60% de meus ativos estão em títulos do Tesouro Direto IPCA +. Por que? O ganho não é ínfimo? É pouco, mas vou ganhar da inflação com risco muito baixo. Com o meu nível de aportes, a força dos juros compostos conjugada com o fator tempo farão a maior parte do trabalho. Pensei em aumentar minha posição no mercado estrangeiro, mas com esta cotação do dólar, desisti. Só voltarei à renda variável no Brasil e nos EUA quando me sentir confortável novamente. Pode levar anos, mas a decisão já está tomada e, aparentemente, é irreversível.

3 - A queda das cotações dos FIIs em janeiro, inclusive de AAA, me fez abrir os olhos para os riscos do mercado variável. Apesar de serem ativos lastreados em imóveis, no final das contas, estão sujeitos a inúmeras variáveis. E o que mais me preocupa é o fator humano. O homem, movido pela ganância, especialmente nestes tempos de bull market prolongado, pode causar enormes e inarredáveis prejuízos a uma grande massa de investidores. Não quero fazer parte dela. Sem contar a possibilidade real de tributação dos rendimentos. Se ela realmente sair, não sei se este instrumento conseguirá manter a já limitada atratividade perante a renda fixa.

4 - Acho que estamos vivendo uma realidade "estranha". Juros negativos em boa parte das grandes economias mundiais, dólar subindo junto com a B3 (na maioria dos casos, a relação é negativa), muitas empresas extremamente valorizadas com nenhum ou pouco resultado, vários países à beira ou já em recessão. Não me sinto mais confortável. Não descarto zerar minhas posições na B3. Nesta semana, segundo notícia veiculada na imprensa, o Ministro da Economia chegou a pedir demissão, mas foi demovido da ideia. Disse que está cansado das articulações com o Congresso Nacional e que ganharia mais dinheiro na iniciativa privada. Não tenho partido político, mas a única coisa que sustenta este governo é a esperança de melhora na economia. Não digo que a desistência de Guedes aborte a recuperação, mas reconheçamos que o risco do mercado reagir muito mal é gigantesca. E se o Presidente não é uma pessoa afeita ao diálogo, a chance da economia do Brasil ficar parada por três anos, até a próxima eleição, é real. Como Guedes tem o pavio tão curto como o do Presidente, não acho que chegue até o final de 2020 como ministro.

5 - O coronavírus mostrou como dados e indicadores podem ser manipulados para criar uma falsa realidade para as pessoas a fim de evitar o pânico. Se Bernie Sanders, "o socialista" para alguns, for o novo presidente dos EUA, creio que o mercado não irá reagir bem. Não gosto de Trump. Se Bloomberg for o vencedor, não irá sanar os problemas herdados da crise de 2008, pois é um animal do mercado financeiro. Ele ou Trump deverá manter o status quo, mas não é algo que me agrada, pois penso que a economia estadunidense não é o conto de fadas que muitos imaginam. Para mim, uma miragem no deserto. Só bom nível de emprego não quer dizer nada. O poder aquisitivo do norte-americano está regredindo há vários anos. Basta acompanhar notícias sobre as dívidas no ramo imobiliário e com instituições de ensino terciário. Se o mercado acionário dos EUA cair com o resultado das eleições, não só o Brasil, mas como todas as economias mundiais sofrerão. E a recuperação pode levar anos.

6 - Ademais, adotando uma visão mais global, creio que hábitos de consumo estão mudando. A indústria automobilística, por exemplo, que outrora era um dos principais motores da economia mundial, hoje, pena. Alguns fabricantes quebrariam se não houvesse a demanda de carros pelas locadoras que disponibilizam os mesmos aos motoristas de aplicativos. Outro ponto importante, a meu ver, é o aumento do fosso entre o muito rico e o muito pobre no mundo. Isso não é sustentável, no longo prazo, pois não haverá gente para consumir o que é produzido.

7 - Outra questão a ser pontuada é que não quero que me vejam como alguém que usa este espaço para se mostrar. Inegavelmente, vislumbrando a crise por que passa o país, sou um afortunado por ter estabilidade e bom nível salarial. Mas isto não me faz melhor do que ninguém. Apesar de ter a meta de alcançar os objetivos traçados, não estou aqui para ficar me vangloriando.

8 - Finalmente, decidi fazer apenas um post ao mês, pois sou humilde o suficiente para reconhecer que há outros blogueiros da Finansfera que possuem mais conhecimento do que eu. Não vou ficar aqui copiando postagens de outros para encher linguiça a fim de alcançar mais seguidores. Há companheiros que realmente dedicam muito tempo para estudar os ativos e a dinâmica do mercado e que podem trazer mais conhecimento do que a minha pessoa.

No final do mês, post de fechamento em que mostrarei a guinada promovida na carteira previdenciária.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.


Até mais!