sábado, 22 de fevereiro de 2020

NOTÍCIAS DA MATRIX - 4ª edição - Os motivos de meu sumiço

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

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Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).

Ainda não morri!

Usarei este post para elencar alguns motivos que me fizeram ausentar deste espaço. Espero que me entendam. Não achem que é por desídia de minha parte com relação à audiência. De forma alguma. Como já expliquei, comecei minha jornada há pouco mais de um ano. Não tenho formação em Economia e não sou um estudioso autoditada de finanças. Uso este blog apenas para registro pessoal e para inspirar as pessoas a começarem ou a perseverarem na busca pela liberdade financeira. Não me julgo professor de ninguém. Sou apenas um sujeito com algum conhecimento de vida e que já tomou péssimas decisões no passado com relação a dinheiro.

1 - Como já falei aqui, não pretendo ser escravo do dinheiro ou do sonho da independência financeira. Estudo para executar as melhores decisões, mas tomo cuidado para preservar as poucas horas de lazer que possuo. Comecei a notar que estava negligenciando a relação com a minha esposa. Daí, como ela e meus cães e gatos são mais importantes para mim do que numerário, resolvi mudar. Agora, não estou perdendo tanto tempo na frente do computador lendo relatórios e assistindo a vídeos do YouTube sobre o mercado financeiro. Tenho 43 anos de idade. Como não possuo filhos e sou "mão de vaca", consigo economizar bastante de meu salário. Daí, cheguei à conclusão que por causa dos erros de meu passado e da idade que já possuo, não posso tomar tantos riscos. É melhor ganhar pouco e sempre do que perder. Quero tranquilidade. Não tenho sonho de ser rico. Uma aposentadoria em que haja sobra de algum dinheiro para o lazer, com todas as despesas pagas, já me é suficiente.

2 - Aproximadamente 60% de minha carteira previdenciária estava na renda variável, especialmente em FIIs. Com a minha mudança de paradigma, aproveitei a entrada de uma verba referente à venda de parcela que tinha em imóvel da família para inverter a proporção. Agora, aproximadamente 60% de meus ativos estão em títulos do Tesouro Direto IPCA +. Por que? O ganho não é ínfimo? É pouco, mas vou ganhar da inflação com risco muito baixo. Com o meu nível de aportes, a força dos juros compostos conjugada com o fator tempo farão a maior parte do trabalho. Pensei em aumentar minha posição no mercado estrangeiro, mas com esta cotação do dólar, desisti. Só voltarei à renda variável no Brasil e nos EUA quando me sentir confortável novamente. Pode levar anos, mas a decisão já está tomada e, aparentemente, é irreversível.

3 - A queda das cotações dos FIIs em janeiro, inclusive de AAA, me fez abrir os olhos para os riscos do mercado variável. Apesar de serem ativos lastreados em imóveis, no final das contas, estão sujeitos a inúmeras variáveis. E o que mais me preocupa é o fator humano. O homem, movido pela ganância, especialmente nestes tempos de bull market prolongado, pode causar enormes e inarredáveis prejuízos a uma grande massa de investidores. Não quero fazer parte dela. Sem contar a possibilidade real de tributação dos rendimentos. Se ela realmente sair, não sei se este instrumento conseguirá manter a já limitada atratividade perante a renda fixa.

4 - Acho que estamos vivendo uma realidade "estranha". Juros negativos em boa parte das grandes economias mundiais, dólar subindo junto com a B3 (na maioria dos casos, a relação é negativa), muitas empresas extremamente valorizadas com nenhum ou pouco resultado, vários países à beira ou já em recessão. Não me sinto mais confortável. Não descarto zerar minhas posições na B3. Nesta semana, segundo notícia veiculada na imprensa, o Ministro da Economia chegou a pedir demissão, mas foi demovido da ideia. Disse que está cansado das articulações com o Congresso Nacional e que ganharia mais dinheiro na iniciativa privada. Não tenho partido político, mas a única coisa que sustenta este governo é a esperança de melhora na economia. Não digo que a desistência de Guedes aborte a recuperação, mas reconheçamos que o risco do mercado reagir muito mal é gigantesca. E se o Presidente não é uma pessoa afeita ao diálogo, a chance da economia do Brasil ficar parada por três anos, até a próxima eleição, é real. Como Guedes tem o pavio tão curto como o do Presidente, não acho que chegue até o final de 2020 como ministro.

5 - O coronavírus mostrou como dados e indicadores podem ser manipulados para criar uma falsa realidade para as pessoas a fim de evitar o pânico. Se Bernie Sanders, "o socialista" para alguns, for o novo presidente dos EUA, creio que o mercado não irá reagir bem. Não gosto de Trump. Se Bloomberg for o vencedor, não irá sanar os problemas herdados da crise de 2008, pois é um animal do mercado financeiro. Ele ou Trump deverá manter o status quo, mas não é algo que me agrada, pois penso que a economia estadunidense não é o conto de fadas que muitos imaginam. Para mim, uma miragem no deserto. Só bom nível de emprego não quer dizer nada. O poder aquisitivo do norte-americano está regredindo há vários anos. Basta acompanhar notícias sobre as dívidas no ramo imobiliário e com instituições de ensino terciário. Se o mercado acionário dos EUA cair com o resultado das eleições, não só o Brasil, mas como todas as economias mundiais sofrerão. E a recuperação pode levar anos.

6 - Ademais, adotando uma visão mais global, creio que hábitos de consumo estão mudando. A indústria automobilística, por exemplo, que outrora era um dos principais motores da economia mundial, hoje, pena. Alguns fabricantes quebrariam se não houvesse a demanda de carros pelas locadoras que disponibilizam os mesmos aos motoristas de aplicativos. Outro ponto importante, a meu ver, é o aumento do fosso entre o muito rico e o muito pobre no mundo. Isso não é sustentável, no longo prazo, pois não haverá gente para consumir o que é produzido.

7 - Outra questão a ser pontuada é que não quero que me vejam como alguém que usa este espaço para se mostrar. Inegavelmente, vislumbrando a crise por que passa o país, sou um afortunado por ter estabilidade e bom nível salarial. Mas isto não me faz melhor do que ninguém. Apesar de ter a meta de alcançar os objetivos traçados, não estou aqui para ficar me vangloriando.

8 - Finalmente, decidi fazer apenas um post ao mês, pois sou humilde o suficiente para reconhecer que há outros blogueiros da Finansfera que possuem mais conhecimento do que eu. Não vou ficar aqui copiando postagens de outros para encher linguiça a fim de alcançar mais seguidores. Há companheiros que realmente dedicam muito tempo para estudar os ativos e a dinâmica do mercado e que podem trazer mais conhecimento do que a minha pessoa.

No final do mês, post de fechamento em que mostrarei a guinada promovida na carteira previdenciária.

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Até mais!

7 comentários:

  1. Os investimentos são para gerar tranquilidade, invisto desde 2014 em renda variável, no começo ficava mais aflito, no entanto com o passar do tempo... acostumamos com o sobe e desce e o foco fica na renda passiva. Como não estava tranquilo, acho que fez o certo em sair dos fiis...boa sorte.

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    1. Beto, tudo bem?

      Como sou funcionário público estável e bem controlado nas finanças, não vejo necessidade de tomar tantos riscos.

      O meu nível de aporte ao longo dos anos compensará a baixa rentabilidade do Tesouro Direto IPCA + nos dias de hoje, lembrando que se a SELIC aumentar, a rentabilidade de tais títulos acompanhará o movimento.

      Sucesso!

      Abraço.

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  2. Gosto dos pilares da filosofia Bastter para se viver uma boa vida.

    Trabalho, Familia, Poupar, investir, esportes.

    Acredito que se você busca se aprimorar no trabalho e ganhar ,Se você se dedica a familia, se aporta um pouco do salário, se investe, se pratica esportes sua vida já será infinitamente melhor que de 99% das pessoas.

    Reflita o seu post, só de ler eu já fiquei mal. É isso que os noticiarios da TV fazem com a pessoa.

    Tudo bem que tudo que você disse pode acontecer, mas e se não acontecer? Então não acho que devemos ficar preocupados com problemas que não cabe a nós resolver.

    Se vivermos a vida como disse ali emcima, tenho certeza que temos grandes chances de sermos mais felizes.

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    1. Olá, tudo bem?

      Você não está errado. Não sou futurólogo. Não dá para saber quando a correção e o bear market virão mas é questão de feeling. Como disse, estão acontecendo coisas nunca antes vistas.

      O mundo recuperou-se de 2008, mas a herança maldita ainda existe. Com este grande fardo, quais serão as consequências para a economia mundial quando vier a próxima crise?

      Creio que será pior do que as últimas. Pode-se chegar ao nível de 1929, talvez. Não é porque os mercados se recuperaram no passado é que o mesmo acontecerá no futuro, na mesma velocidade. Com o consumo tão baixo mesmo com juros baixo, pode levar facilmente 155, 20 anos para voltarmos ao atual patamar.

      Daí, preferi adotar esta postura mais conservadora, mas lembrando que já tenho reserva de oportunidade para usar quando achar adequado.

      Sucesso!

      Abraço.

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  3. Concordo com vc, estou só com 10% na B3 e utilizando o Tesouro Direto para investir com segurança. A impressão que tenho é que chamaram todos pra "farra da Bolsa" só para captarem os lucros em breve..

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    1. Não devo reduzir minha exposição à renda variável mesmo com este cenário obscuro, pois, assim, não deixo de ter um ganho, estando exposto ao mercado.

      Boa parte de minha reserva no exterior está parada na conta. Daí, quando houver a baixa, terei chance de comprar bons ativos por preços mais baixos mesmo que do outro lado, perca por já estar na bolsa.

      Procuro ter uma visão dualista a fim de aumentar as chances de ganho. Nunca estar 100% na renda variável e nunca estar 100% na renda fixa.

      Acho que muitos irão chorar sangue e, em último caso, cometer suicídio, especialmente aqueles que não sabem o que é um circuit break ou bear market. Eu nunca vi um (circuit break com ativos na bolsa) mas tenho um racional mais forte que a emoção, o que é imprescindível para um investidor com mentalidade no longo prazo.

      Sucesso!

      Abraço.

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  4. seu post de hoje explica muito mais sobre você do que os anteriores. Temos pensamentos e realidades parecidos. Contudo, eu, por conta da idade, resolvi me arriscar um pouco mais.

    Com atual derretimento da bolsa, parece que você previu o que estava por vir.
    abraço

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