sábado, 16 de novembro de 2019

FIRE IN THE HOLE - Fechamento Outubro/2019 - complementação

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.





Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).




Em complementação a este post, vou discriminar a distribuição macro de minha carteira previdenciária. A partir do próximo mês, o fechamento do mês trará tal discriminação.






Observações. Como sou funcionário público com estabilidade e pelo fato de consumir, em média, apenas 30% de meu salário a cada mês, não me preocupo tanto com reserva de emergência. Reparem nos gráficos acima que, no momento, não a possuo, mas a partir de janeiro/2020, irei criar uma reserva de oportunidade/emergência, cujo montante deverá ficar no Nubank RBD e/ou Tesouro Direto SELIC.

Na verdade, estou em busca de algum investimento de renda fixa em que eu não tenha perdas para a inflação, mas com liquidez imediata para aproveitar um momento de queda de cotações no mercado acionário (creio que as eleições nos EUA em 2020 trarão maior volatilidade ao mercado, o que também pode acontecer a depender do resultado das eleições municipais no Brasil, além da possibilidade de aprovação de lei com tributação dos dividendos). Poupança, LCI e LCA estão descartados por falta de liquidez apesar de não sofrer incidência do IR. CDB e fundo DI são opções, mas teria que analisar cada caso, pois as rentabilidades variam. Se você tem alguma indicação, coloque, por favor, na seção de comentários. Agradeço, desde já.

Como já expliquei em outras postagens, sou um holder que defende a necessidade de reserva de oportunidade, pois, a meu ver, é no momento de pânico que você tem maiores chances de ter ganhos expressivos no mercado com o mínimo de esforço (confira aqui). Consequentemente, tenho pressa em iniciar a minha reserva.

A partir de janeiro, mês em que irei receber adiantamento do 13º salário, o plano deverá ser o seguinte no que atine aos aportes. Vou atacar em todas as frentes, usando diferentes pesos. A reserva de oportunidade deverá receber a maior parcela. O que sobrar será dividido em: formação de caixa para envio para a corretora nos EUA; compra de FIIs; aquisição de ações; compra de Tesouro Direto IPCA + 2045.

Desta forma, tenho possibilidade de ganho em duas frentes, isto é, estando exposto ao mercado e, ao mesmo tempo, tendo caixa para usar quando houver correção mais forte nos mercados norte-americano e nacional.

Conforme se infere dos gráficos acima, tenho pouco mais de 70% da carteira em renda variável. Sei que a rentabilidade da renda fixa só tende a cair, mas vou iniciar um balanceamento a partir de janeiro. R$ 1.000,00, doravante, todos os meses, no Tesouro Direto IPCA + 2045, de forma religiosa. Será minha âncora, pois se tudo der errado, ainda terei esta reserva, já que é improvável que o País quebre e, em último caso, basta o governo imprimir dinheiro para pagar os credores do Tesouro Direto.

Devo me aposentar em 2042. Poderia optar pelo Tesouro Direto IPCA + 2035, mas ele é mais caro do que o Tesouro Direto IPCA + 2045. Como não tenho pressa de receber renda antes da aposentadoria, prefiro manter o dinheiro até 2045 a fim de fortalecer a ação dos juros compostos.

A simulação abaixo inserida mostra que duplicarei o valor investido, com proteção contra a inflação. Isso mostra que mais importante do que a busca desenfreada por maior rentabilidade (com consequente aumento do risco), o que importa, no longo prazo, é a constância dos aportes.


O fato de fazer compras mensais fará com que pegue várias taxas de rentabilidade, a fim de se chegar a um valor médio em 2045. Será uma operação em modo de piloto automático. Como este título é o mais suscetível à marcação a mercado, irei fazer o investimento sabendo que só poderei resgatar quando de seu vencimento. Daí, optei por colocar um valor mais baixo no mês, o que será compensado pela regularidade mensal de investimento. Vou tratá-lo como um imposto mesmo.

A reforma da cozinha continua. Até o momento, tudo bem. Espero que no próximo final de semana, a parte de alvenaria esteja pronta. Daí, terei que fazer os novos armários e adquirir a lava-louças e o purificador de água. Estou aguardando a Black Friday para conseguir uma promoção real. Estou acompanhando as cotações pelo site Buscapé e, até o momento, não houve redução de preços. Vamos aguardar!

No final das contas, acho que o montante total de despesa referente à reforma deve ficar entre R$ 35.000,00 e R$ 40.000,00. Não reputo como um gasto voluptuário, pois, realmente, a cozinha estava precisando de uma repaginada a fim de aprimorar a sua usabilidade.

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.



Até mais!

domingo, 10 de novembro de 2019

DICA DE MÚSICA: Em minha modesta opinião, as melhores vozes que já existiram

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Adianto que não sou crítico musical. Você já deve ter percebido, acompanhando meu espaço, que sou um amante da música e cinema.

E hoje, apresento as melhores vozes masculina e feminina que já existiram em minha modesta opinião.

Você, quiçá, diga:

- Acho que o Mente Investidora é um "gato". Alega que tem 42 anos de idade mas escuta música de quem tem 90. Como assim?

Pois é. Devo parecer um ser bastante sui generis para os leitores. Reconheço que a música, hoje em dia, salvo raríssimas exceções, não me atrai nem um pouco (o YouTube e a minha coleção de cds são o que me salva). A impressão que tenho é que a mercantilização exarcebada da música foi muito danosa a ela.

Os interesses comerciais passaram a prevalecer sobre a qualidade da canção. Prova disso é que artistas mais antigos não conseguem fazer mais shows ou fazem em menor quantidade. Se querem lançar novo álbum, são obrigados a usar selo próprio, já que dificilmente terão espaço nas gravadoras convencionais e plataformas digitais, onde o interesse é expor apenas o que é comercializável.

Desculpe por meu radicalismo, mas acho que da década de 2000 para cá, foi iniciado um processo de idiotização da sociedade, especialmente da parcela mais jovem. Não querendo generalizar, mas a verdade é que considerável parte da população mais nova não possui nenhum senso crítico com relação a nada, inclusive gosto musical, contentando-se com qualquer porcaria colocada no mercado.

A pessoa, simplesmente, não é capaz de ler e compreender uma letra de música, a fim de captar sua mensagem. Foge, como o Diabo da cruz, de qualquer dificuldade. Opta pelo mais fácil, isto é, letras "chiclete" que, basicamente, só possuem um refrão bem pegajoso, mas que, na essência, não tem nada a dizer. Hoje, a situação está tão caótica que tem muitas canções fazendo sucesso sem ao menos ter um refrão grudento que não sai de sua cabeça.

Já disse em outra oportunidade neste espaço que gostaria de viver em outra época. A impressão que tenho é que no passado, até o final da década de 70, as pessoas possuíam maior capacidade de fazer juízo de valor, não deixando-se levar tanto por propaganda. Estou generalizando, é claro, pois o Nazismo, talvez, seja o exemplo mais claro de como o poder de persuasão é capaz de mudar as ideias de um indivíduo.

Por isso, as grandes vozes que já foram ouvidas na face da Terra eram de artistas que nos deixaram há muito tempo.

Começo por Kirsten Flagstad (conheça mais sobre ela aqui). A norueguesa, nascida em 1895 e falecida em 1962 é considerada por muitos como a melhor soprano de todos os tempos, especialmente interpretando personagens de obras do mestre Richard Wagner.

Segue abaixo, talvez, sua gravação mais famosa. Sei que muitos de vocês nunca ouviram ou não enxergam graça alguma em ópera, mas deem uma chance. Notem como Flagstad consegue transpor para o canto o sentimento do personagem naquele momento, num crescendo até chegar ao ápice do sofrimento. Não é algo robotizado. Só alguém com enorme sensibilidade consegue alcançar este tipo de feito. Você, com certeza, não verá Anitta e congêneres fazendo algo do gênero.



Do lado masculino, temos Enrico Caruso (conheça mais aqui). O napolitano, nascido em 1873 e falecido em 1921, tornou-se o artista mais famoso de sua época. Era reverenciado por onde passava. Durante os seus estudos, em tenra idade, ouviu que não teria futuro como tenor por ser desafinado. Não sei se você sabe, mas sua voz foi uma das primeiras a serem gravadas em discos. De igual maneira, percebam como Caruso consegue imprimir à sua voz uma dimensão que não se resume apenas ao canto.







Por hoje, é só. Ótimo domingo a todos.

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.




Até mais!

sábado, 9 de novembro de 2019

NOTÍCIAS DA MATRIX - 2ª edição - Projeto de lei para alteração do imposto de renda sobre pessoa física e jurídica e tributação de dividendos

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.





Antes de tudo, friso que não sou analista de investimentos e que não faço recomendações (nunca venderei nada este blog, pois não é meu intuito ganhar dinheiro com isso, mas apenas ajudar aqueles que estão vivendo na Matrix, imersos no fenômeno da "corrida dos ratos" - veja mais aqui - a abrirem os olhos).

Para quem está preocupado com o futuro do mercado de investimentos no Brasil devido ao teor do projeto de lei que altera o IRPF, IRPJ e regras de tributação sobre empresas e dividendos, aconselho assistir ao vídeo abaixo, gravado pelo analista CNPI Daniel Nigri do Dica de Hoje. Ressalto, mais uma vez, que não é indicação de investimento. Achei o conteúdo muito pertinente com explicações fundamentadas de Nigri.




É apenas um projeto. Não sabemos como se dará sua tramitação, pois haverá lobbies de todos os lados. O texto a ser aprovado poderá sofrer inúmeras modificações, mas como eu acredito que o investidor deve ter esta visão a longo prazo, é importante ter ciência do que pode acontecer, a fim de criar mecanismos para mitigar os danos que porventura venham a ocorrer.

Se você não concorda com esta proposta, vote NÃO em https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=136117&voto=contra

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.





Até mais!


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Qual será o futuro econômico do mundo?

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Penso que o investidor, especialmente aquele que trabalha com um prazo muito longo de aportes, deve não só analisar a conjuntura econômica atual como também a dos próximos anos, a fim de, por um lado, ter possibilidade de aumentar a rentabilidade da carteira previdenciária e, de outro prisma, tentar se proteger de crises que irão ocorrer. Já falei de ciclos econômicos neste espaço.

Não é questão de um exercício de futurologia. Traçando um comparativo, é a mesma tarefa que você teria ao analisar se uma empresa tem um negócio perene que possa render frutos por um bom tempo, trazendo retornos consistentes.

Hoje, vemos grandes economias mundiais trabalhando com taxas de juros bastante baixas e até negativas. É uma clara consequência da crise do subprime de 2008, onde os governos e empresas endividarem-se sem parcimônia alguma. E as dificuldades não foram resolvidas desde lá. Com nova desaceleração da economia global, vemos os bancos centrais lançarem novas rodadas de queda de taxas de juros, na expectativa que com esta injeção de recursos no mercado, o consumo volte.

Lembremos que em 2008, os juros não estavam tão baixos. O cenário, agora, é mais grave. Será que nova redução de juros, que já estão na mínima, é a solução ou os governos só estão protelando a resolução da problemática instalada? Em minha modesta opinião, sou partidário do segundo pensamento.

Não tenho formação em Economia, mas penso que o problema é mais sério do que isso. O que o mundo está vivendo hoje decorre, em certa medida, da mudança do comportamento do homem médio.

Primeiro, devemos salientar que a taxa de natalidade está caindo em boa parte dos países, incluindo Brasil que ainda é um país de Terceiro Mundo (veja mais aqui). Japão, por exemplo, já possui mais idosos do que jovens há alguns anos. Como o sistema previdenciário de qualquer nação poderá sobreviver se cada vez há menos pessoas economicamente ativas para sustentar os aposentados? É um problema de dificílima solução.

Os costumes mudam. Proles grandes eram a regra, pois como os pais costumavam morrer cedo (problemas de acesso a recursos da saúde pública, Medicina em um estágio não tão avançado, guerras), acabavam tendo vários filhos com a crença de que alguns iriam morrer na infância ou adolescência. Além disso, pensava-se que quanto mais integrantes da família gerassem renda, melhor seria para o núcleo familiar.

Todavia, com o passar das décadas, os casais notaram que o custo de criar um filho desde o seu nascimento até a finalização do curso superior é extremamente alto (veja mais aqui). Os norte-americanos nunca tiveram um nível de endividamento com universidades como antes na história (clique aqui).

O pensamento agora é o de ter o menor número de filhos a fim de concentrar todos os esforços e economias para que o mesmo tenha sucesso na vida profissional após a graduação. Deixou-se de lado aquela tradição que dizia que filho único seria um problema porque foi criado sem precisar dividir as coisas com os outros.

Não bastasse isso, o comportamento do consumidor, com o avanço da tecnologia e do conhecimento, está mudando de forma acelerada. Hoje em dia, boa parte dos indivíduos, especialmente os mais jovens, tende a valorizar mais viagens e experiências do que o ato de adquirir e acumular coisas. Airbnb, hostel, aplicativos de transporte urbano privado, programas de compartilhamento de automóveis, home office, fintechs, computação em nuvem, cobrança de tarifa de bagagem pelas companhias aéreas são alguns reflexos desta nova mentalidade.

Temos visto pessoas vendendo imóveis para morar de aluguel, deixando o dinheiro resultante da venda rentabilizando no mercado a fim de gerar renda passiva a fim de possibilitar, em tese, a concretização de sonhos. Outros vendem o automóvel, adotando o transporte público, bicicletas e aplicativos como o Uber a fim de não ter mais gastos com a manutenção do mesmo, como IPVA, seguro, peças, pneus, etc. Pessoas viajando apenas com uma mala de até 10 kg para curtir a viagem e pagar menos, não se importando em trazer lembranças dos locais visitados.

Temos visto casos de pessoas que unem o útil ao agradável, passando a morar em trailer ou motorhome. O indivíduo não tem o custo de manter um imóvel tradicional, mas, ao mesmo tempo, possui a liberdade de usar o carro/casa para viajar, sem ter que gastar com hospedagem.

Produtos e iniciativas ligados ao consumo consciente e reaproveitamento de itens já utilizados não param de se expandir, o que afetará a economia global.

A onda do minimalismo está se irradiando como nunca antes. Basta navegar na Internet e você encontrará muito conteúdo a respeito do tema. Se você tem menos posses, você precisa de menos espaço para viver. Daí, as empresas do mercado imobiliário são obrigadas a se adequar a esta nova realidade, o que pode afetar a rentabilidade do negócio.

Não bastasse isso, temos jovens que optam por continuar a morar com os pais, mesmo após a conclusão do ensino superior por comodidade e/ou contenção de despesas ou, simplesmente, porque não querem constituir família. Veja mais aqui e aqui.

Vemos, ainda, a figura do incel. Na maioria dos casos, homens heterossexuais, celibatários involuntários. Em outra ponta, temos cada vez mais mulheres reclamando que não conseguem se envolver, de maneira mais séria, com homens, deixando, assim, de constituírem família. Ou mulheres tendo prole cada vez mais tarde, sendo que o principal motivo para tal comportamento é a priorização da carreira profissional.

Outro destaque relevante é a substituição do homem pela máquina e inteligência artificial. Se este trabalhador é expulso do mercado de trabalho, ele irá deixar de consumir por ter queda ou extinção absoluta de renda.

Todos estes fatores somados me fazem crer que as economias, hoje tão dependentes do consumo, irão continuar a sofrer por um bom tempo. E não é reduzindo taxa de juros que o problema será resolvido. A questão é de ordem sociológica e não econômica.

Acredito que tal panorama se tornará um tremendo desafio tanto para governos quanto para as empresas, já que tudo está interligado. Nenhuma economia sobrevive sem consumo. Se as empresas sofrem, o investidor também irá padecer.

Pode ser que não estejamos mais vivos quando este cenário surgir, mas como hoje em dia, as mudanças são extremamente rápidas, acho que é grande a chance de nos depararmos com esta situação nas próximas duas décadas.

O primeiro efeito seria a queda da rentabilidade dos ativos disponíveis no mercado financeiro. O investidor teria que se expor a muito risco a fim de conseguir maior retorno, o que, a princípio, vai contra a mentalidade do FIRE que pensa no longo prazo. Se houver perda significativa de patrimônio, o plano de aposentadoria antecipada poderá sofrer sérios danos ou tornar-se inviável.

A minha segunda preocupação é com o mercado imobiliário, já que menos pessoas estariam dispostas a contrair dívidas de vinte ou trinta anos, com o receio de ser mandado embora do trabalho porque foi substituído por uma máquina ou sistema. Ou simplesmente porque o filho optou por continuar a morar com os pais.

Aumento do valor de contribuição previdenciária e extensão de idade mínima para concessão de aposentadoria podem se mostrar medidas insuficientes para combater os rombos, pois a base de pagantes tende a ser cada vez menor perante o número de beneficiários já aposentados.

Em suma, o prognóstico não é animador.

Daí, como salientei aqui, ser milionário hoje não quer dizer nada, pois daqui a vinte anos, por exemplo, com o efeito da inflação, tal valor terá notória redução. Se a economia mundial continuar nesta toada, a tendência, a meu ver, é que será cada vez mais difícil a vida do FIRE, pois apesar do efeito dos juros compostos, o grau de rentabilidade corre risco de se tornar muito baixo.

O que poderia atenuar tal dificuldade seria aumentar o nível de aportes, pois são eles, verdadeiramente, que trazem riqueza, já que são os pilares do patrimônio amealhado. A rentabilidade é apenas a cereja do bolo.

Não quis ser pessimista com esta postagem. É apenas uma opinião. E se realmente tudo isso acontecer, não há muito o que possamos fazer. Não podemos ter stress por causa disso, pois não é algo que esteja em nosso controle. Se a aposentadoria antecipada não se concretizar, na pior das hipóteses, você já terá uma boa poupança que lhe permitirá realizar seus sonhos.

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.




Até mais!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Já sou um milionário, mas...

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Já sou um milionário, mas me trato como se não fosse. Irei explicar.

Conforme mostrei aqui, minha carteira previdenciária hoje tem pouco mais de R$ 400.000,00, mas não incluo nesta conta os dois imóveis físicos que ainda possuo, já que o terceiro foi vendido em meados do ano.

A casa, quitada, onde moro, tem valor de mercado aproximado de R$ 1.100.000,00, ao passo que o lote de 5.000 m2 em um setor de chácaras, sem asfalto e sem rede de água/esgoto, deve valer por volta de R$ 200.000,00. Estou tentando vendê-lo, mas é complicado. De qualquer forma, não tenho tanta urgência, pois fica em uma área que está desenvolvendo (devagar por causa do estágio atual da economia) depois da chegada de um condomínio fechado do Alphaville nas imediações.

Como expliquei nos primeiros posts deste espaço, emigrar do país após chegar à aposentadoria no serviço público é uma possibilidade, mas hoje, minha decisão seria ficar no Brasil. Por alguns motivos: câmbio; indo para a Europa com visto de pessoa que já tem renda garantida, não posso trabalhar ou empreender, não podendo gerar renda em Euro, moeda de consumo; a tendência é que com o congelamento de salários no serviço público, meu vencimento perca poder aquisitivo no longo prazo, sendo arriscado emigrar para um lugar onde o câmbio é bem desfavorável (é mais racional ter os gastos na mesma moeda a que vinculado o salário); perder dinheiro, girando o patrimônio, já que com a venda de todos os bens no Brasil, especialmente imóveis, teria custos de corretagem, impostos, etc, o que diminuiria meu patrimônio. Alguém poderia sugerir me mudar, sem vender os ativos no Brasil. Entretanto, o que preocupa é a manutenção dos mesmos, especialmente imóvel. Todos sabem: o dono sempre tem que estar próximo de suas posses a fim de geri-los da melhor maneira possível.

Já residi em edifício vertical de apartamentos e condomínio de chácaras, mas, por causa de minha personalidade, cheguei à conclusão que tenho menos stress, morando em casa, diretamente na rua, pois aqui, sou rei. Sou mais livre, não sou obrigado a arcar com despesas que não concordo e aturar gente que não me faz bem.

Ademais, morando em casa, minha única despesa é o IPTU, uma vez ao ano, ao passo que residindo em apartamento, tem a taxa de condomínio que, a depender do local, pode chegar facilmente a mais de R$ 500,00, ao mês. No longo prazo, este custo extra pode fazer uma tremenda diferença no montante total do patrimônio alcançado.

Sei que morar em casa é mais perigoso, mas como somos muitos caseiros e não saímos à noite, o risco é minorado. De igual maneira, não ficamos do lado de fora da casa, "dando sopa", de forma alguma.

Outro aspecto importante é que minha residência tem sistema de produção de energia elétrica, graças a placas fotovotaicas, o que diminui o meu custo mensal com mencionada utilidade. Tal solução, hoje, é inviável em prédio de apartamentos. Temos também duas caixas d'água para captação de água de chuva.

Como, hoje, não vejo a possibilidade de vender minha residência, não a trato como investimento (vale mais do que quando a adquiri por causa dos melhoramentos já realizados), não inserindo seu valor na minha carteira de ativos. Outro motivo por tal opção de raciocínio é que me força a não me acomodar, criando despesas inúteis ou me rendendo a impulsos consumistas, o que poderia afetar, sobremaneira, meu patrimônio.

Como também já comentei em outra postagem, procuro ter uma visão mais pessimista acerca de meu patrimônio e respectiva rentabilidade. Quando preciso fazer projeções, opto por ser mais modesto na taxa de rentabilidade com o fito de não condicionar o meu cérebro a esperar aquele resultado.

Se o sarrafo foi estabelecido em menor altura e o resultado foi decepcionante, o efeito em meu lado psicológico será menor. Entretanto, se o resultado for melhor que a expectativa, o meu psicológico terá uma boa surpresa. Este processo, aplicado por anos, a meu ver, poderá render efeitos positivos para a mentalidade do investidor.

Conforme comentei aqui, resolvi fazer a reforma na cozinha de casa, pois tem aspecto muito datado, pouco funcional e número de armários insuficiente (a casa - não construída por mim - foi finalizada há aproximadamente 15 anos). Fiz cotações de preços de materiais e mão-de-obra que se mostraram um pouco menores que a minha expectativa inicial. Em virtude, no meu sentir, da paralisia do setor de construção civil. O profissional acaba se vendo obrigado a diminuir o valor da diária e o empresário, a diminuir a margem de lucro, para não ficarem, respectivamente, sem trabalho ou vendas.

A troca das telhas por placas sanduíches (creio que com elas, resolverei o problema de vazamentos no telhado, pois o grau de inclinação do mesmo é muito elevado, fazendo com que as telhas escorreguem e quebrem com facilidade) ficará para o próximo ano, após o período de chuvas (abril ou maio).

Graças a estas despesas, não haverá novo aporte em novembro, sendo que serei obrigado a usufruir o valor de resgate do único fundo de renda fixa que possuía. Mas não me preocupo com isso, pois a verba será utilizada para valorização do imóvel e não com algo supérfluo. Ademais, meu grau de poupança mensal gira por volta de 70% e em janeiro, receberei parte do 13º salário.

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.



Até mais!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Leia este testemunho de vida de um FIRE e inspire-se.

Olá! Tudo bem?

Se é sua primeira vez aqui, conheça um pouco de minha história aquiaqui e aqui. Recomendo, fortemente, que leia também todos os posts deste espaço para sentir como sou, como penso, pois você pode se identificar com o Mente Investidora. Ler apenas um post pode te induzir a ter uma interpretação errônea de quem eu sou e como busco a independência financeira. Fica a dica. 

Se você não quer ou não pode ler os posts deste espaço (está em ambiente público ou dirigindo, por exemplo) ou possui deficiência visual, use o plugin Audima que se encontra no topo do título de cada postagem para ouvir seu conteúdo (basta clicar no botão play). É gratuito. Funciona como uma espécie de podcast.



Ontem, acessei o blog do Frugal Simples e me deparei com um depoimento muito enriquecedor e extremamente inspirador. Se você acha que sua vida é difícil, leia a transcrição integral do texto que fiz abaixo.

O relato é longo e muito detalhado. Mas vale a pena ler, mesmo que em etapas. Basicamente, conta a trajetória de uma pessoa que não tinha nada, nascida em uma família com vários problemas, mas que não se rendeu ao crime e alcançou nesta semana nada mais, nada menos, do que R$ 4.000.000,00 em patrimônio.

Ser FIRE no Brasil é difícil, mas é possível. O objetivo desta postagem não é insinuar, especialmente, para aqueles que estão começando agora sua jornada em busca da independência financeira que com R$ 100,00 de poupança ao mês, por exemplo, é possível chegar à marca do Frugal Simples. 

O escopo é demonstrar que com estudo, disciplina de poupança e paciência, deixando que o efeito dos juros compostos e do tempo atue sobre o montante financeiro amealhado, é possível criar um colchão financeiro. Pode ser que não seja suficiente para você deixar de trabalhar um dia ou virar empreendedor, mas pode lhe permitir realizar os seus sonhos. 

A fonte do texto encontra-se aqui.

Outro depoimento com o mesmo teor, você encontra aqui.


"Prezados amigos,

Cheguei ao quarto milhão em patrimônio. Precisamente cheguei em R$ 4.016.000,00 hoje. Contando tudo a preço de custo de aquisição (imóveis, casa da loja e o valor gasto no investimento da loja (500k).

Esse post é longo, tente ler quando tiver calma, atenção, espaço e tempo.

Ainda me lembro de investir na bolsa e alugar todas as minhas ações na mão, coisa pra ganhar cinquenta centavos a dois reais em um dia, mas também me lembro sempre de ir pro shopping a pé (pra economizar o ônibus) e passar a tarde toda com apenas um sorvete casquinha do mcdonalds de R$1 e apenas ficar lá a tarde toda "só olhando" e voltar a pé pra casa.

Acho que não tem um dia que eu não passe sem sonhar com o meu futuro e "minha próxima vida" dentro dessa vida, e sem lembrar do meu passado, e até sentir um pouco de orgulho dele.

A pobreza da minha família e a destruição precoce dela, deixaram marcas indeléveis na minha alma, assim como a saída do meu pai da nossa casa, e dos irmãos cada um para um lado, como alguns sabem, numa família assim, após sua separação o padrão de vida cai muito pra todo mundo, imagina pra quem não poderia perder margem alguma.

O meu pai estudou até a terceira série do primário, no sertão do nordeste, ele é praticamente analfabeto. A minha mãe diz que terminou o segundo grau, mas a mãe dela (a minha avó) sempre disse que ela desistiu no primeiro ano, e a minha mãe não tem um diploma de segundo grau e nem o histórico escolar, ela diz que nunca foi buscar na escola, então eu não sei e ela fica irritada quando eu pergunto. Quase nunca eles trabalharam de carteira assinada. O meu pai quase sempre viveu de bicos, e a minha mãe só trabalhou algum tempo na vida como recepcionista/telefonista, hoje em dia parece que essa profissão de "telefonista" não existe mais. Meu pai teve três filhos com a minha mãe, eu sou o caçula e tenho mais dois irmãos (uma mulher mais velha e o do meio), depois que se separou, meu pai casou rapidamente e já tinha um filho com a mulher, depois teve mais dois com ela (totalizando seis filhos). A minha mãe, pelo que parece, não vai conseguir se aposentar nem pelo INSS, eu não sei bem essa parte, mas o meu irmão que entende mais, disse que ela perdeu um monte de papel e pelo tempo que falta lá, não dá tão cedo, não nessa vida.

Não diria que minha infância foi infeliz, ela foi feliz até um certo ponto, mas a partir de uns 8-9 anos quando a gente compreende melhor o mundo e começa a querer algumas coisas e passar necessidades reais, ficamos limitados pelas nossas circunstâncias.

Tudo que eu queria era inacessível. Tudo, até o básico era inacessível. Minha casa chegou a ter água e luz cortadas várias vezes, dezenas de vezes. A gente puxava um fio da casa de um vizinho e ligava uma luz de 40W no teto pendurada. Eu queria mandar uma carta pro meu pai (sim, carta) e penava pra comprar um sêlo nos Correios. A gente ligava do orelhão de ficha, trocava duas palavras ou três e acabava a ficha e consequentemente a ligação. A próxima ligação era com uns 15 dias, ele tinha se mudado pra outro estado do país. A gente nunca teve telefone fixo em casa, depois da ficha passamos pro cartão telefônico, e basicamente tinha um orelhão para metade do bairro, eu cheguei a pegar fila pra falar do orelhão de cartão, e como tudo no meu bairro, dava briga.

Certa época, depois de vários cortes de água e sem dinheiro pra pagar, a gente (eu) tive que fazer uma emenda no cano principal da rua (cavando a minha rua era de areia) [a primeira vez que eu fui morar numa rua que não era de areia eu já tinha 16 anos e já estava terminando o segundo grau] e um "T"com um cano de meia pra dentro do nosso terreno, esse cano desembocava dentro de um tambor de plástico (quando eu tirava a tampa) e a gente cobria o tambor com um tapume e alguns papelões (pra o pessoal da cia. de água não ver), do tambor, eu colocava uma bomba "sapo" que ficava submersa dentro do tambor, pendurada por uma corda numa ripa que se equilibrava acima do buraco, dessa bomba eu mandava a água para a nossa caixa dágua, eu descia a bomba com a corda, quando ela batia no fundo do tambor eu suspedia ela e amarrava a corda, ela não poderia tocar o fundo do tambor, ficava suspensa na água.

A equação era bem complicada: eu não podia deixar o tambor secar mais rápido do que a vazão de água da rua, senão a bomba queimava, e também não podia encher muito senão ia transbordar e virar um lamaçal e a lama iria contaminar o interior do tambor. Então era uma trabalheira doida de tampar cano, desligar bomba e esconder tudo se alguém chegar na rua.

Eu fazia tudo isso sozinho, isso eu tinha uns 11-14 anos, eu tinha conhecimentos rudimentares de pedreiro, eletricista, encanador, soldador (o meu avô era pedreiro autônomo também), eu rezava pra ninguém reclamar do barulho da bomba, a minha mãe estava dormindo (só morava eu e ela), e isso era sempre na madrugada, às vezes esse procedimento durava 3-4h, eu me molhava todo, a bomba só desligava quando eu puxava o plug do soquete da tomada.

A nossa casa não tinha muro, era uma casa de tijolo branco sem reboco por fora, que só fez eu e um pedreiro, era um quarto-cozinha-banheiro, com um pequeno quintal com uma pia externa e a caixa dágua acima da pia, a gente tinha uma cerca de pau com arame, bem espaçado e a porta da casa dava direto pra rua, só tinha esse cercadinho pra nos proteger e eu ainda tinha aula no dia seguinte pela manhã, dormia na aula e ainda era zuado por isso.

Nessa época, o café da manhã era leite de saco tipo "C", café preto bem diluído e ralo e pão com margarina vegetal, isso era o jantar também. Pro almoço, comemos muito arroz com tomate e ovo, ou "carne de lata", aquela que você abre a lata com uma chave que vem nela. Você abre a lata e coloca pra fritar na frigideira com um pouco de margarina, eu achava aquilo intragável, mas era o que tinha pra comer.

Quanto ao ovo eu também não gostava, eu fui gostar de ovo depois de adulto, e depois de "fazer as pazes com ele", eu achava que tinha estourado a minha cota de ovo da vida toda. O melhor almoço pra mim era arroz, carne moída com catchup e suco tipo Tang laranja ou Tang Uva. As frutas que davam pra comprar eram banana e melancia de vez em quando. O resto (manga, jambo e goiaba) a gente pegava na rua mesmo. Na minha casa a gente tinha pé de goiaba e abacate então a gente comeu muito deles dois. Eu tinha um amigo que sabia subir em coqueiro e tirar coco lá de cima, era assim que a gente tomava côco. Ele jogava lá de cima, se estourasse a gente bebia ali na hora imediatamente pra não perder a água, se não estourasse a gente levava pra casa.

A pobreza é a exata transformação física da ignorância e da falta de educação e informação. Eu estudei muitos anos na escola pública, até que ela era arrumadinha, tinha uma boa biblioteca e muitos livros para ler a vontade, eu sempre lia um, devolvia e imediatamente pegava um ou dois para levar, e assim ia lendo um atrás do outro, o ano todo.

Eu ia de ônibus coletivo para a escola desde muito novinho e sozinho até a parada e na volta pra casa, esse ônibus eu comecei a pegar sozinho e voltar, além de caminhar muito, eu devia ter uns sete, oito anos e ia só com um caderno fininho na mão e uma caneta bic azul, passava por debaixo da roleta para não pagar a passagem (nem dinheiro eu teria). A minha primeira passagem de ônibus que paguei eu já estava no primeiro ano do segundo grau (e não poderia deixar de pagar, pois a escola era CEFET e todo o mundo sabia que aquela farda ali era de segundo grau). Eu andei de ônibus até terminar a universidade, eu passei dezessete anos inteiros andando de ônibus coletivo. Eu sempre tive apenas uma farda, nunca nem mesmo tive duas camisas do colégio ao mesmo tempo, e eu achava coisa do outro mundo quando sabia que algum colega tinha duas camisas, a meia era a semana inteira (a mesma meia) e o tênis geralmente era um topper bem surrado, assim como a calça jeans.

Raramente eu tinha dinheiro pro lanche da escola. Eu comia a famosa merenda do colégio público, em prato de plástico e caneca de plástico. No máximo eu comprava um picolé de gêlo de 10 centavos, ou pedia um biscoito recheado Bono de alguém, goles de refrigerante... Comer uma coxinha com uma lata de guaraná no recreio do colégio era inacessível para mim.

No meu bairro de infância a gente tinha três atividades de lazer: jogar bola na rua de areia colocando tijolos para ser o gol (e contando 4 pés de um tijolo pro outro), ir pra missa e jogar video-game na game (espécie de lan-house antiga), tinha mega-drive, super-nintendo, playstation 1 e nintendo64. Em 90% das vezes eu não jogava com o meu dinheiro, mas sim quando alguém pagava a hora e me chamava pra jogar com o segundo controle, até que de tanto frequentar o lugar, o dono me perguntou se no horário da tarde e da noite eu não queria trabalhar lá.

O cenário do meu primeiro emprego era assim, só falta a freezer com os picolés. Eu cheguei a apanhar pq desliguei a TV dos marginais quando a hora tinha acabado.

Eu poderia jogar o quanto pudesse se tivesse uma TV vaga, e poderia comer uns picolés de gêlo que tinha lá pra vender, e ainda ganhava uns trocados que nem lembro quanto era. Essa "locadora" (era assim que a gente chamava) era um empreendimento feito na garagem da casa de um motorista de ônibus coletivo que rodava apenas dentro da minha cidade, eu era o funcionário dele, o único, e alternava com a mulher dele (que estava grávida ou cuidando de uma criança pequena). Ele trouxe uma sobrinha mais velha dele do interior e me substituiu, também eu apanhei lá e ficou difícil continuar (alguns moleques andavam com facas, estiletes e até revólver .22).

Depois de algum tempo eu arranjei o meu segundo emprego, eu já devia ter uns 11-12 anos, e foi de assistente de borracheiro. Eu trabalhava com um cara que fabricava sofás no quintal de casa. A gente saía de carroça pelos bairros juntando pneus velhos ou comprando, as ruas eram de areia e cheias de lama, às vezes eu ia sentado embaixo no eixo da carroça, de costas para o jumento, vendo a rua passando pelo meu lado, batendo meus pés nas lombadas ou molhando eles na lama.

Repare no pequeno eixo entre as rodas, eu voltava sentado ali, porque muitas vezes em cima da carroça vinha com muito pneu, mas eu gostava de andar ali, era bem divertido, às vezes batia a cabeça no piso da carroça ou molhava os pés na lama.

Quando a gente chegava no quintal, cortávamos a borracha com uma faca bem afiada, fazíamos tiras bem longas com ela e íamos puxando. Com essas tiras a gente fazia todo o arcabouço do sofá e depois colocava o estofado por cima. O meu salário, esse eu lembro, eram exatamente R$2,50 por semana. Se vocês tentarem corrigir pela inflação, esse valor vai dar perto de R$10 reais, o ano era por ali entre 95-97. A minha mãe me deu dinheiro na mão umas 3-5x na vida, o meu pai até que deu algum, mas ele saiu de casa quando eu tinha oito anos de idade.

No meu segundo emprego, era mais ou menos isso que a gente fazia depois de cortar os pneus, a gente colocava as tiras de borracha deles aí onde está na foto e também na parte das costas do sofá. O aspecto do sofá que a gente fazia era bem pior do que esse da foto. O da foto está chique, mas não achei nenhuma foto com um sofázinho à altura do nosso. A gente não podia tentar cortar um pneu que tinha um nome "radial" nele porque ele tinha um arame de metal dentro que nos cortava e não ia servir para o sofá.

Quando eu era criança, o sonho da minha vida era ter uma camisa do Vasco, daquelas que a gente chama de "oficial". Eu nunca tive. Depois de uns três anos pedindo essa camisa pro meu pai, ele comprou uma pra mim "do camelô", daquelas de 10 reais, com um tecido horrível, que suava e era meio quente, o patrocínio eu lembro até hoje, era Ace, um sabão em pó de caixinha que nem sei se existe mais hoje. Eu usava essa camisa até pra ir na festa da igreja e no shopping.

Outra coisa que eu sempre quis quando era criança era fazer natação. Eu nunca fiz. Não havia dinheiro para isso. Eu também queria fazer futebol de campo ou estudar inglês em alguma escolinha de inglês particular, e adivinhem? Pois é. Eu fiz judô porque um amigo me levou após insistir muito, me deu um kimono cru que ele tinha usado e comecei, as aulas eram em outro colégio público e o professor deixou eu me misturar com a turma do próprio colégio. Eu não gastava nada, eu cheguei na faixa roxa e ganhei muitas competições, até campeonato estadual e regional, mas dada toda a minha condição de vida, física e nutricional, não tinha como treinar nem competir em coisas mais importantes como um campeonato nacional.

Eu tive muitos problemas dentários, eu tinha muita cárie, muita dor de dente, eu não sei se sabia escovar direito, ou era pouco, ou se minha alimentação era péssima mesmo, eu rolava noites e noites na cama chorando sem saber o que fazer, passando água gelada, água da pia, colocando pasta de dente pura em cima.

Naquela época dentista público era muito inacessível, o privado era caro, mas sobrava uns privados bem ruins, que acho que nem eram dentistas, eu fui lá umas 4x, o procedimento era um só, extração, era muita dor e sangue. Até hoje eu tenho medo de dentista, e fico taquicárdico só em sentar numa cadeira de dentista. Da última vez que fui em uma aqui, chorei ao final, só com a lembrança de todas as dores que eu passei na vida. Eu acho que foi por causa das minhas questões dentárias que conheci o que se chama por "desespero". Noutra época, um pouco mais a frente, eu caí no colégio, quebrando um dos meus dentes centrais superiores, esse dente ficou quebrado por muito tempo, isso me fez sofrer bastante e me deixou cada vez mais tímido e retraído.

Na adolescência eu era o que se poderia esperar, baixo, magro, desnutrido, com dente quebrado, cariado, retraído, tímido e sem nenhuma habilidade em absolutamente nada. Da adolescência até o início da idade adulta atravessei um deserto sexual praticamente absoluto, coisa que na minha época era bem comum (não sei como está hoje em dia para a molecada). Eu levava foras homéricos na escola, passei muita tristeza e humilhação nas questões amorosas.

Os primeiros beijos e as primeiras experiências sexuais foram com as amigas e conhecidas da rua e do bairro, gente que tinha crescido comigo e que eu eu conhecia desde que me entendia por gente, mas obviamente não eram grandes coisas, assim como eu era na época. A minha primeira namorada séria, legal e bonita eu já tinha uns 20 anos de idade e estava lá pro segundo ou terceiro ano da faculdade.

Meus amigos dessa época, tenho contato com muito poucos, estão em posições bem baixas na vida, o resto se perdeu na vida ou ninguém sabe onde tá, trabalhando no comércio, alguns andando de ônibus até hoje, ou com um carrinho bem velho de 10k e sem dinheiro pra gasolina. Um dos meus melhores amigos da época da locadora, da última vez que eu tive notícia (lá pra 2003) tinha sido preso pela PM roubando toca-CD de carro estacionado.

As meninas engravidaram cedo e casaram com um qualquer e ainda moram por lá, no mesmo bairro ou em outro bairro igualmente péssimo, sem estrutura e violento. Uma minoria absoluta conseguiu chegar na faculdade pública, em cursos sem expressão alguma, como Serviço Social, Letras Português ou Geografia, esses os que eram muito dedicados.

Eu sou muito agradecido por tudo o que passei na vida, pelo caráter que me formei, pelas agruras que passei, sem tudo isso que contei aqui (não dá pra contar muitas outras coisas devido ao espaço) é que eu sou o que eu sou, é que me encontrei e encontrei o meu destino, o que me tornei e o que nasci para ser. 

Não é que se tenha que alegrar ou sofrer com o passado, mas um passado de sofrimento e escassez é muito difícil de esquecer sem sentir uma coisa muito estranha por dentro, às vezes tudo que eu queria era poder voltar pro passado e poder ajudar o meu eu mais novo com algum dinheiro, um presente ou uma conversa.

Foi extremamente difícil e trabalhoso passar por muita coisa sem um guia, um mentor, dinheiro, exemplos próximos ou sei lá algo que tenha tido o mínimo de sucesso para me guiar. Eis que por isso eu quis fazer esse blog, pra tentar ajudar um mínimo que seja quem se encontra numa situação de penúria ou desespero. Eu não sei como eu dei certo na vida quando todas as chances estavam contra mim.

Teve um dia que depois de muito penar em matemática pra passar no colégio (eu estava na quinta série) um coleguinha me levou pra casa dele para estudar, eu nunca vou esquecer desse dia, eu estava em recuperação praticamente reprovado (naquela época o meu colégio público reprovava mesmo, e tinha até dois alunos reprovados na minha sala), era sem choro nem vela, e por causa de uma matéria a gente repetia o ano todo, todas as matérias.

Primeiramente o pai dele (que era militar aposentado da aeronautica) acho que cabo ou sargento, foi pegar a gente de carro (foi a primeira vez que saí da escola em um carro), nos levou pra casa dele, tinha um quadro branco na garagem da casa dele e uma mesinha, ele deu aula pra gente de toda a matéria da prova, na sexta, no sábado e no domingo, resolvemos centenas de pequenos exercícios e contas, esse pai dele dizia que era bom em matemática e pra ele devia ser mais simples do que pra gente, eu aprendi direitinho a matéria e passei na prova.

Depois disso descobri que esse meu amigo (ele nem tinha ficado na recuperação) ele já tinha passado, ele estava ali comigo simplesmente porque viu o meu desespero e resolveu ajudar, sem falar, pra melhorar, a gente ainda ganhou lanche durante os estudos, torrada de queijo e suco de laranja (algo inédito para mim) - ganhar um lanche durante os estudos e pra fechar com chave de ouro - ele ainda tinha um super nintendo que a gente jogou uns jogos de avião de caça já a noite. Foi a primeira vez que eu vi um vídeo-game fora da locadora, na casa de alguém. Esse era o meu amigo mais rico até aquela data, e o bairro que ele morava era 10x melhor que o meu, do outro lado da cidade e com rua calçada. Esse fim de semana eu sempre vou lembrar.

Eu fiquei pensando por muito tempo: "caramba, como deve ser bom ter um pai em casa, que ensina, tem um quadro e ainda faz lanche... se eu tivesse uma oportunidade assim com certeza seria um aluno muito melhor, ia passar de ano folgado e quem sabe tirar as maiores notas da escola" o que descobri depois que era exatamente o caso dele, mas tudo bem.

E agora voltando ao post, eu não sei bem o que dizer para vocês nesse momento. Essa semana foi muito nostálgica pra mim por tudo o que vivi. A chegada ao quarto milhão me emocionou um pouco, porque muitas vezes, na minha solidão e na minha vida cheia de privações eu me perguntava se um dia eu ia ser feliz, se um dia eu ia ter o básico, se eu ia ter uma namorada bonita, se eu ia ter um bom emprego e vencer na vida.

E hoje, dirigindo as intermináveis horas, eu senti uma sensação de alívio danada, eu lembrei de meu passado, de tanta coisa que passei e me veio uma grande sensação de alívio e dever cumprido, de ter vencido na vida e hoje ser o que eu sou. Eu nasci num lugar e numa família que tinha TUDO pra dar errado, todo um contexto desfavorável, problemas em casa com álcool, desemprego, violência, infidelidade conjugal (do meu pai) e mesmo assim consegui encontrar meu lugar no mundo. Também lembrei de uma grande amiga minha, que foi embora desse mundo por escolha própria, há alguns anos atrás, e que muito me aconselhou em várias questões, além de dar exemplo prático de vida, determinação e disciplina, eu acho que ela estaria bem orgulhosa de mim nesse momento.

Enfim, onde está então o segredo?

O segredo de vencer na vida? De ter muito dinheiro? De ser uma boa pessoa, um bom profissional, um bom familiar?

Onde eu guardei esse segredo?

No desejo ter uma vida melhor. No desejo da minha "próxima vida" ainda dentro desta. Se você não tiver um desejo muito forte que te faz pular da cama e enfrentar o dia, mesmo com fome, mesmo morando longe, mesmo tomando banho gelado as 05:30 da manhã porque nunca teve um chuveiro elétrico em casa, mesmo saindo de casa em jejum todo dia, porque ali nem tinha café da manhã e só iria comer as 09:30, se você não tiver essa vontade dentro de você, pulsante, batendo mais forte do que o seu coração, eu não sei se você vai conseguir. Um homem sem vontade não vai resultar em nada.

No desejo de descobrir o que se passa no mundo, na vontade de superar a pobreza e de nunca mais voltar para ela, seja a pobreza material, espiritual, intelectual, mental, pobreza de laços familiares e de significado na vida, pobreza de sonhar, de desistir antes da hora, de jogar a toalha, de desistir de viver, de se contentar com o muito pouco, na imensa vontade de tomar a minha vida e o meu destino em minhas mãos e vencer com os meus meios, sem precisar fazer nada ilegal ou derrubar ninguém e tampouco culpar terceiros pela minha situação de vida. Eu queria superar o meu bairro, eu queria muito uma vida melhor, uma namorada bonita, um carro, sem tristeza, sem fome e sem desesperança.

Eu venci a pobreza. Eu venci o meu destino. Eu estou vencendo na vida.

Obrigado a todos os entraves e a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram bem ou mal para eu estar aqui. Sem tudo isso, eu não seria o que sou hoje.

Acho que é isso amigos,

Um grande abraço a todos,

Frugal."

Continuaremos nosso bate-papo no próximo post.

Se o conteúdo do site lhe agrada, não deixe se se inscrever como seguidor para receber aviso a respeito de novas postagens.




Até mais!